Qual é a melhor maneira de se celebrar um aniversário? Festas, jantares, reuniões de amigos? Ou, quem sabe, deve-se fazer uma criteriosa avaliação das reais condições da vida que se leva, seu dia-a-dia, a rotina organizada ou imposta, os compromissos escolhidos ou obrigatórios, sendo, portanto, o aniversário, uma oportunidade de balanço, estabelecer-se uma espécie de pontuação no índice de auto-satisfação?
E em se tratando do aniversário de uma cidade? Seria esta uma razão a mais para justificar uma celebração comunitária, festas em praças com rojões e discursos? Ou, de um outro modo, tratando-se da coisa coletiva, uma boa oportunidade de refletir-se, em conjunto, das escolhas que têm sido feitas, por décadas e décadas, na administração pública do nosso País e das nossas cidades, no encaminhamento do dinheiro proveniente da arrecadação tributária e de outras verbas públicas, do cuidado (ou falta dele) com que vêm sendo tratadas as nossas crianças e jovens e adultos, avolumando-se a cada dia, pedintes, abandonados, em nossas ruas?
Uma violência crescente trancafiando cidadãos em casa e um trânsito desordenado seriam temas apropriados para a data de aniversário? Sim, as cidades são compostas por seres humanos, e como tais, são entes complexos, como me lembrou uma querida amiga. Os sentimentos situam-me confusa no aniversário da minha cidade: quero celebrar e quero aprimorá-la, ao mesmo tempo. Mas, antes, e sobretudo, gostaria de iniciar com meus cumprimentos: Parabéns Franca pelo presente que nos brindou. Algo que demorou 183 anos para nascer mas veio repleta de componentes jovens, adolescentes, vibrações talentosas, acordes pulsantes. O coração pleno em: a Orquestra Sinfônica de Franca chegou em boa hora!
Que permaneça por aqui, pois, só a arte poderá nos inspirar a administrar o caos e os homens da globalização no século 21! Bravo!
TÂNIA LIPORONI é advogada e autora de Parceria de Um; membro da Academia Francana de Letras.
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