Servidor acusa Sindicato de fraudar assembléia


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O Sindicato dos Servidores Municipais está sendo acusado de fraudar as assinaturas que aprovaram uma assembléia realizada em março de 2005. A reunião sob suspeita aumentou a extensão do território sob a atuação do sindicato que passou a representar, desde então, os funcionários públicos de mais quatro cidades da região. A denúncia, apresentada pelo fiscal de vigilância da Prefeitura André Szabo - que pretende disputar o comando do sindicato nas próximas eleições -, dá conta de que durante a assembléia os diretores da entidade juntaram à ata assinaturas em duplicidade, de associados que não estavam presentes, de dependentes de servidores (filhos, mulheres) e até de adolescentes. Ao todo, teriam participado da sessão 190 pessoas. O número de presentes representa quase 20% do total de filiados do sindicato em Franca, que hoje conta com pouco mais de mil. A reportagem do Comércio teve acesso a uma cópia da lista de presenças, que foi registrada em cartório, e pôde verificar que pelo menos cinco nomes estariam em duplicidade. Outros 16, segundo a acusação do funcionário, seriam filhos de servidores. A polícia investiga o caso. O registro oficial do documento que estende a base da instituição às cidades de Cristais Paulista, Itirapuã, Ribeirão Corrente e Pedregulho foi feito um ano e cinco meses depois da assembléia que o aprovou - agosto de 2006 - e só observado há três meses, quando concorrentes para a próxima eleição de diretoria solicitaram uma cópia do estatuto ao cartório. “Eles (diretores) não queriam nos fornecer o estatuto. Fomos obrigados a ir ao cartório e lá comprovamos as irregularidades na documentação”, explicou André Szabo, autor das acusações. A averiguação pelo 1º Distrito Policial começou logo após a efetivação do boletim de ocorrência, feita na segunda quinzena de agosto deste ano. A Polícia Civil não informa detalhes da apuração, mas confirma que ela está em andamento. Os investigadores, inclusive, estiveram na Prefeitura de Franca e solicitaram uma cópia da lista de servidores sindicalizados. Após a comparação com o documento, pessoas que não eram funcionárias públicas teriam sido convocadas a prestar declarações na polícia. O delegado Benedito Carlos Quiodeto, responsável pelas investigações, se limitou a dizer que é possível a abertura de inquérito para investigar melhor a denúncia. Caso a fraude seja comprovada, a assembléia poderá ser impugnada e os responsáveis punidos administrativamente. Para os adversários da diretoria atual, a extensão de base é importante e fortalece o sindicato, mas a possível fraude nas assinaturas que a aprovou pode abrir uma dúvida sobre outros processos realizados pela instituição. “Se em coisas importantes como essa a categoria não é chamada para deliberar, para participar nas decisões, em outras, em que dependemos de bastidores, ficamos realmente preocupados”, disse Szabo. Com a extensão de base, o sindicato passa a ter mais filiados, aumentando sua arrecadação através das contribuições, além disso, a instituição passa a ter maior decisão em conferências sindicais. OUTRO LADO O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, José Nhozinho Ramos, o “Paraná”, foi procurado ontem pela reportagem para dar sua versão sobre a suposta fraude nas assinaturas. Pelo telefone celular informou que estava em uma reunião e não daria entrevista naquele momento. Quando questionado sobre o melhor horário para falar com a reportagem, pediu para que o assunto fosse adiantado e se negou, de imediato, a responder. “Não vou falar nada sobre esse assunto. Por enquanto”.

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