Produção em massa ou valor agregado?


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O Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçado de Franca) divulgou, na última semana, os dados referentes ao setor calçadista do mês de outubro. A pesquisa tem dados interessantes e que merecem ser debatidos. Nas próximas colunas detalharemos alguns aspectos da produção local. O foco de hoje é exportação. Embora o “chororô” do setor calçadista seja intenso - e creiam, para quem vem de fora, é fácil notar que os calçadistas são absolutamente chorões quando falam de seus negócios - os números mostram que existe esperança - no curto prazo - para a indústria calçadista local quando o assunto é mercado externo. Mas, para isso, uma condição é obrigatória: o foco deve ser, necessariamente, a qualidade. Com a chegada dos países asiáticos ao mercado internacional de calçados, em especial Índia e China, a competição no valor deixa, cada dia mais, de fazer parte das agendas de negociação dos calçadistas brasileiros. No quesito quantidade, a batalha parece perdida. Vamos aos dados. A participação do mercado externo no total produzido, que já foi, nos áureos tempos da década de 80, de 53% da produção total (ou 11 milhões de pares, na ocasião), não representa sequer 25% do total produzido hoje. Este ano, segundo os dados do Sindifranca, a produção de sapatos exportados na cidade caiu de 5,3 milhões de pares de janeiro a outubro de 2006 para 4,6 milhões no mesmo período deste ano. Uma queda de 12,48%. A diminuição no valor arrecadado no mercado externo, porém, foi bem menor - de US$ 115 milhões para US$ 109 milhões, ou “só” 5,43%. Embora a queda não seja uma notícia a ser comemorada, o dado indica que os importadores estão pagando mais caro pelo produto francano. Em 1984, o sapato francano era vendido a pouco mais de US$ 11. Hoje, tem maior valor agregado e chega aos US$ 23,52. O total é 8,04% mais que no ano passado. Uma percentagem significativa. Quando comparamos Franca com o Brasil, notamos uma discrepância ainda maior. Em média, o sapato brasileiro custa US$ 10,80, menos da metade do que o produzido na terra das três colinas. Ou o mesmo que a cidade cobrava para exportar há mais de 20 anos. Além da Agabê, já tema desta coluna na última semana, outras importantes empresas de Franca começam a apostar, cada vez mais, no produto de qualidade, em menor quantidade, para o mercado externo. É o caso de Carmen Steffens e Sândalo, para ficar apenas em duas grandes fabricantes que foram consultadas pelo colunista sobre o assunto. Téti Brigagão, gerente de marketing da Sândalo, é categórico sobre o assunto. “A era das grandes exportações acabou. Hoje, o futuro está na Europa e em produtos de maior valor agregado, como a Agabê vem fazendo há alguns anos e a Sândalo começou, nos últimos tempos, a fazer”. Mão-de-obra altamente especializada, como parece inegável, Franca tem. Algumas marcas da cidade, com décadas de tradição, também já são conhecidas no mercado internacional. Resta saber como essa transição - da quantidade para qualidade - continuará a ser feita. Se for bem executada, ganham todos - trabalhadores, que receberão melhores salários; a cidade, que arrecadará mais; e os industriais, que poderão comemorar melhores dias para suas fábricas. DADOS O levantamento do Sindifranca mostra, ainda, que existem 760 indústrias de calçados na cidade. Destas, apenas 13 empregam mais de 500 funcionários, o que demonstra que a era das gigantes está próxima do fim. A grande maioria, 552, é formada por microempresas que empregam, no máximo, 19 pessoas cada. MAIS DADOS Outro dado interessante da pesquisa diz respeito ao perfil da produção calçadista de Franca. Oitenta e quatro por cento dos sapatos produzidos na cidade são da linha masculina. Na seqüência, aparecem os calçados fe-mininos, com 14% e, no fim da lista, os calçados infantis, com apenas 2% da produção local. SÂNDALO E por falar em Sândalo, a empresa afirma ter espantado, de vez, o fantasma da quebradeira. Um dos raros exemplos de indústria francana com marca de alto valor comercial, a empresa diz que o sistema de terceirização da produção vai bem, obrigada. A Sândalo, que tem hoje 25 funcionários próprios, contrata a produção de outras sete empresas e comercializa uma média de 2,6 mil pares mensais. Segundo Téti Brigagão, gerente de marketing da empresa, a Sândalo é responsável, hoje, pelo emprego direto de aproximadamente 270 sapateiros. ABAIXO DA META Embora a situação da Sândalo seja efetivamente mais confortável do que no primeiro semestre, quando anunciou a decisão de fechar a fábrica e focar apenas na comercialização da marca, um ponto ainda preocupa: a exportação. A meta da empresa para 2006 era exportar pelo menos 30% da produção. Segundo Téti, o total deve ficar em 20%. O ponto positivo, segundo e empresa, é o valor do sapato, que custa, em média, US$ 30.

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