Um levantamento realizado pela Vigilância Epidemiológica de Franca mostra que os casos de caxumba quase dobraram no último mês. Os números saltaram de 58, registrados em setembro, para 94, em outubro(última atualização feita pela Secretaria da Saúde). O mapeamento da doença, coordenado pela secretaria, foi feito com base em registros das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e dos dois prontos-socorros públicos da cidade.
O acompanhamento dos casos de cachumba começou em março deste ano. De lá para cá, o número não pára de crescer. Em março, foram oito casos identificados. Em outubro, já eram 94.
Para o médico responsável pela Vigilância Epidemiológica, Homero Rosa Júnior, o aumento pode ser explicado pela falta de vacinação. “Não conseguimos imunizar 100% da população e, uma vez não-vacinadas, as pessoas estão propensas a desenvolver a doença e transmiti-la, já que a caxumba é contagiosa”.
O secretário de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, disse que ainda é prematuro afirmar que há um surto de caxumba em Franca. “Antes não existia esse acompanhamento. O número cresceu tanto porque a abrangência do levantamento também aumentou. Começamos devagar pelas UBSs e depois incluímos os prontos-socorros. De qualquer forma, estamos em alerta e, sempre que identificamos um caso, fazemos o bloqueio (vacinação de familiares e vizinhos)”.
Com o levantamento, a Secretaria de Saúde constatou que a maior parte dos infectados em Franca é formada por homens entre 15 e 19 anos. O estudante Diego Artur Alves Ferreira, 17, morador no Jardim Guanabara, começou a apresentar os sintomas da doença há duas semanas. “A febre de quase 40 graus, dores pelo corpo e um inchaço na glândula próxima à orelha (glândulas parótidas) fizeram com que eu perdesse o apetite. Foi horrível, ainda bem que hoje estou melhor”.
Para a recuperação do infectado, o repouso é extremamente necessário, pois através dele o sistema imunológico elabora um anticorpo que combate o vírus. Se não cuidada, no caso dos homens, a inflamação nas glândulas parótidas e mandíbula pode atingir os testículos, causando a orquite. “Nestes casos, se o repouso não for absoluto é provável que o homem fique estéril”, explicou Homero Rosa.
Para conter a doença, a Vigilância Epimidemiológica está visitando o domicílio dos portadores e suspeitos de portar o vírus da caxumba e aplicando a vacina tríplice viral (contra caxumba, rubéola e sarampo) aos que ainda não receberam a dose.
Mas, apesar disso, a equipe não sabe dizer em quais bairros há maior incidência de casos.
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