Escrever é minha sina!


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Enquanto muitos jovens aliviam as tensões do dia-a-dia na prática de esportes ou em baladas, ainda restam aqueles que, mesmo sem esquecer a curtição, reservam um tempo especial para colocar, no papel ou no disco rígido, tudo que pensam e sentem. São poetas, contistas e cronistas que, no silêncio ou no agito de um dia normal, expressam-se sem medo. Eles têm na cabeça um pára-raios de idéias, inspiração e facilidade de combinar palavras. O estudante Rodrigo Borges Carrijo, 16, é um deles. Não há nada que lhe chame atenção e não se transforme em poesia. A sina começou há mais ou menos dois anos, quando ele escrevia redações na escola. Desde então, foram mais de 40 textos escritos, entre poesias e crônicas. Segundo Rodrigo, tão interessante como o texto pronto é a forma como ele nasce. “Às vezes estou na sala de aula e fico incomodado com alguma coisa. Preciso pegar um papel e anotar o que vier na cabeça. Vou rascunhando, rabiscando e no final vira o texto”, disse. Contando assim parece ser bem fácil, mas Rodrigo afirma que não. Tem fases que, mesmo com muita paciência, não sai nada. “Às vezes escrevo uma poesia em dez minutos, outras demoro mais que uma semana. E tenho uns dez textos que nem consegui acabar. Tem épocas que as idéias não param, mas em outras não consigo produzir nada”. Os temas podem variar, mas Rodrigo prefere escrever sobre assuntos mais amplos e, quando isso acontece, se sente bem. “Escrevo sobre as inquietações do mundo, do homem e sobre mim mesmo. É como se estivesse desabafando. Escrever me ajuda muito a entender um pouco mais o mundo em que vivo”, diz. Além de escrever, o jovem gosta de mostrar seu trabalho para outras pessoas e saber o que elas acham, mas, ao menos por enquanto, não pensa fazer disso uma profissão. “Nunca publiquei nada oficialmente. É só hobby mesmo”, comenta, um pouco tímido. A estudante Ana Luisa Coelho Teixeira, 15, também gosta de escrever, mas, ao contrário de Rodrigo, pensa sim em publicar suas crônicas e contos desde que isso não torne uma obrigação. “Não quero escrever porque tenho que ganhar dinheiro com isso. Quero escrever quando eu sentir vontade e se isso me trouxer retorno financeiro é ainda melhor”. A Aninha, como é chamada, já viveu esta situação e adorou. Em 2006, ela venceu o Prêmio Alfredo Palermo com o conto “Francamente” e ganhou R$ 400. “Com a grana eu comprei uns livros e uma cesta básica, que doei para uma família carente”. Ao todo são uns 120 textos escritos por ela em mais de um ano de dedicação. Alguns textos ela não mostra para ninguém, os outros ela posta em seu blog para saber o que a galera está achando. A jovem prefere os temas mais intimistas como o cotidiano e a alma feminina e escrever sobre isso também faz bem à Aninha. “Quando escrevo me sinto viva, sinto como se estivesse dando espaço para que um outro eu dentro de mim falasse. Quando escrevo minha máscara cai”. Para a psicóloga Marluce Fagundes, é justamente aí que mora a importância de se expressar por meio desta linguagem, que funciona como uma espécie de válcula de escape para as tensões do dia-a-dia. “Escrever ajuda a construir, formular e reformular pensamentos. É um exercício importante para a formação do indivíduo. Sem contar que saber comunicar é fundamental e se a pessoa desenvolver mais de uma habilidade para isso, tem mais chances de sucesso na vida e nas relações”, diz a especialista. A profissional disse ainda que qualquer pessoa pode tentar se expressar por meio de poesias ou qualquer outro texto porque para isso basta ter facilidade com a língua portuguesa e vontade de se expressar. Um perfil sensível e romântico, como muitos acreditam, pode ser dispensável. “Uma pessoa que escreve aprendeu a escrita e juntou esse aprendizado com a vontade de se expressar. Arriscar sempre vale a pena”.

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