O Brasil no ‘sinocentrismo’


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Antonio Barros de Castro é um dos grandes economistas brasileiros. Especialista em políticas de desenvolvimento, ontem fez a apresentação de fechamento do ano, no Conselho Superior de Economia (Cosec) da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Barros de Castro percebe mudanças no padrão de crescimento. A nova dinâmica da economia mundial se dará em cima de países com grandes extensões territoriais e grande população - China, Índia, Rússia e Brasil, os BRICs. E o novo modelo é sinocêntrico - isto é, tem a China no centro das articulações - e se baseia no barateamento extremo dos produtos permitindo a criação de amplos mercados populares de consumo. Apenas agora o Brasil entra nesse novo ciclo, depois que sua economia começou a se “normalizar” - isto é, a ter indicadores condizentes com seu potencial econômico. Parte disso pelas políticas sociais, que deram o impulso inicial. Em 2004, por exemplo, o crescimento da demanda doméstica contribuiu em 8,7% para o crescimento do PIB industrial; a demanda externa líquida, com mais 1,1%. No total, a produção industrial cresceu 8,5% naquele ano. Em 2007, a demanda doméstica contribuirá com 8% do PIB industrial e a demanda externa líquida com -2,6%. Com isso, o PIB industrial crescerá 5,3%. Para tanto, diz Castro, foi fundamental a queda de preço dos produtos industriais, ajudado pelo próprio câmbio, que significou melhoria de renda dos trabalhadores. Segundo Castro, caso o atual crescimento de 5% seja mantido por alguns anos, o próprio setor privado encontrará oportunidades para se reposicionar. Onde pega a análise de Castro? Está havendo uma integração cada vez maior das economias mundiais. Tem-se numa ponta o mercado popular brasileiro como o grande fenômeno atual. Na outra, uma política cambial que a cada dia tira a competitividade da produção nacional e amplia a penetração dos produtos importados - especialmente os chineses. A conseqüência óbvia será, cada vez mais, esse aumento da demanda ser suprido por importações. Qual seria o espaço do Brasil nesse “sinocentrismo”? É só conferir os próprios dados que apresentou. Barros dá vários exemplos de empresas que conseguiram sobreviver no Vale dos Sinos (pólo calçadista gaúcho) ou no setor mobiliário. E sugere que o caminho para a reestruturação industrial brasileira passa pela aproximação com centros de pesquisa, com agregação de valor, etc. Qual o percentual de empresas brasileiras capazes de agregar, por exemplo, 30% de valor à sua produção? Em qualquer parte do mundo, seria mínimo e, certamente, seriam empresas campeãs. Por aqui, as que atingem esse percentual conseguem, no máximo, sobreviver. Uma empresa pode ser bem sucedida aumentando o percentual de insumos importados, desfazendo sua cadeia interna de fornecedores. Mas, para o conjunto da economia, essas alternativas são desastrosas. É o que explica o fato de, apesar de alguns produtores terem sobrevivido, o conjunto da economia ter se estagnado. Ou seja, o Brasil continua sendo uma economia à procura de uma vocação nesse novo mundo. BOVESPA CAI 9,5% O mês de novembro não tem sido favorável ao mercado acionário. Fortes quedas têm sido amargadas nos principais centros financeiros do mundo. Para a Bovespa, que acumula baixa mensal de 9,57%, este já é o pior mês dos últimos dois anos. Apenas no pregão de ontem, houve recuo de 3,12%. Os tombos não têm poupado as Bolsas em nenhuma parte do mundo. Em Wall Street, o índice Dow Jones registra perdas de 8,52%, e a Bolsa eletrônica Nasdaq já recuou 11,10% no mês. Em Tóquio, o índice Nikkei se desvalorizou 9,47% no período. Na Bolsa de Londres, a baixa mensal alcança os 8,05%. Passada a euforia da retomada da redução da taxa básica de juros dos EUA, em setembro, os estragos causados pela crise no setor de crédito imobiliário de alto risco americano (o “subprime”) voltaram ao centro das preocupações de analistas e investidores. Além das perdas bilionárias sofridas pelos maiores bancos do mundo com o “suprime” - que ultrapassam os US$ 50 bilhões -, há muitas incertezas em relação aos impactos negativos sobre a atividade econômica mundial. ponsável pelo Modal Asset. Na Bovespa, a venda de ações das últimas semanas levaram seu principal índice a ficar abaixo dos 60 mil pontos pela primeira vez em dois meses - ao fechar a 59.069 pontos. A pontuação representa o valor de mercado das companhias. Quando cai, indica que passaram a valer menos. LICITAÇÃO DA ANP A 9ª Rodada de Licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural começa hoje com 67 empresas habilitadas pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) - maior número de participantes já registrado, superando o da 7ª Rodada (44). A expectativa do mercado é que o governo tenha arrecadação recorde, de mais de R$ 1 bilhão em bônus (lance para arrematar as áreas). Serão ofertados 271 blocos em 14 setores. Pela primeira vez, uma rodada conta com participantes dos cinco continentes. Na opinião de especialistas, trata-se do leilão mais conturbado desde o fim do monopólio estatal, há dez anos. “A rodada vai ser muito concorrida, contrariando a expectativa de esvaziamento com a retirada dos 41 blocos da reserva de Tupi. A descoberta vai reduzir o risco de investimento no Brasil”, avalia o diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobrás, Luis Pinguelli Rosa.

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