Teatro Municipal lotado, público educado aplaudindo na hora certa, muito entusiasmo. O último domingo marcou a retomada de um projeto antigo: a Osfran (Orquestra Sinfônica de Franca). Após apenas três meses de ensaio, os 45 músicos - que também são mecânicos, policiais e comerciantes -, sob a regência do maestro Gabriel Santiago Mateos, 34, apresentaram um repertório variado que foi de composições de Haendel e Bach até músicas natalinas.
A expectativa para a apresentação foi tão grande em toda a comunidade que os 415 lugares do Teatro “José Cyrino Goulart” foram preenchidos e cerca de 100 pessoas, de acordo com o diretor do local Jô Ribeiro, ficaram do lado de fora e não puderam prestigiar o evento. O entusiasmo foi tanto com Lascia ch’io pianga, de Haendel, White Christmas, de Irving Berlin, Hallelujah (Messias), também de Georg Haendel, e as outras 12 músicas executadas, que a Orquestra e seus convidados voltaram ao palco para o bis de duas músicas.
O Quarteto Vocal - formado por Priscila Cubero, Priscila Ragazzi, Fernando Diniz e Fernando Bachur - e o tenor Saulo Couto fizeram participações especiais no concerto de gala. Couto revelou estar maravilhado com o projeto. “É um orgulho para mim ter participado da noite. Acho maravilhoso o empenho destes jovens talentos”, disse o cantor lírico.
O prefeito Sidnei Rocha (PSDB), que ficou sabendo da existência da Orquestra só na semana passada, discursou antes da apresentação e prometeu apoio ao grupo. “A apresentação foi inesquecível e digna de ser deixada para a história. Afinal, a arte não tem de ser necessariamente das elites. Ela nasce do povo e tem de voltar para o povo”.
O diretor da Divisão de Cultura, Sérgio Menezes, concorda com Rocha e ressaltou que um dos objetivos da Osfran é fazer apresentações em bairros e praças. “Este é o caminho na busca não só por novos talentos, mas por novos ouvintes de música clássica. Em breve, será registrado o estatuto da Orquestra e uma personalidade jurídica, para que a Osfran possa receber verba tanto do município, do Estado, quanto de empresas”.
A emoção da platéia com o primeiro concerto foi visível. João Marcos Rodrigues, presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) foi um dos francanos que ficou orgulhoso. “Tive oportunidade de ver muitas orquestras e estou tomado por uma emoção muito grande já que na minha cidade agora também há uma. O nível daqui foi maior porque hoje ela está nascendo. E que ela dure para sempre”.
A médica e escritora Eny Miranda também se disse encantada e emocionada. “A Orquestra brotou com o pé direito. O maestro, Gabriel Mateos, se mostrou uma pessoa carismática. Franca está crescendo muito, e esta é uma contribuição enorme para a cultura. É um novo filho de Franca, uma estrela que nasceu com muito brilho”.
BASTIDORES
Se depender da vontade dos idealizadores do projeto, os irmãos Marcos Oliveira, 32, e César Oliveira, 33, e do maestro Gabriel Mateos o futuro da Orquestra tem tudo para ser promissor. A agenda para 2008 já está garantida. “Ano que vem pensamos num repertório bem variado e temático. Prepararemos um concerto de Carnaval em fevereiro, de Páscoa, um concerto de inverno. Já temos o programa do ano todo”, antecipa Mateos.
Para os irmãos Oliveira, a felicidade ao ver o resultado é muito grande. Eles foram os responsáveis pelo convite aos músicos. “Fizemos uma seleção e escolhemos os melhores. Em janeiro teremos uma nova audição, escolheremos mais 45 pessoas.
Vamos ter outra orquestra e os participantes vão subindo de grau, como se fosse uma escola”, revela César.
Com o sucesso do primeiro concerto, a Osfran volta a se apresentar ainda neste ano. No dia 5 de dezembro, o grupo participa da inauguração da nova iluminação do prédio do Champagnat, local de ensaio da Orquestra.
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