A política brasileira, para os efeitos da sucessão do presidente Lula, começa a ferver, não só em Brasília, como em outras quatro grandes cidades: São Paulo, maior centro eleitoral, Rio, Belo Horizonte e Salvador, onde o PT tem sede e comando. E muitas candidaturas ganham lembretes da imprensa, com reivindicações de nomes tirados do Partido dos Trabalhadores. Com a quantidade de nomes, lembro de uma frase de Assis Chateaubriand, que teve em seu ofício muita experiência, com amigos que queriam ser candidatos. Falando na ABL, sobre esse assunto, gravou esta frase: “O amigo é, em política, uma calamidade, ao lado de uma complicação dos mil demônios”. E o PT, partido do presidente, vencedor em duas eleições, conta agora com amigos incontáveis, na expectativa de cavalgar logo alguma tribuna ao lado de Lula.
Aliás, alguns líderes do PT não escondem suas simpatias: Jacques Wagner, Dilma Roussef, José Eduardo Martins Cardoso, Nelson Jobim, Ciro Gomes, Valter Pomar e outros.
O primeiro candidato a soltar seu verbo foi Jacques Wagner, governador da Bahia, apregoando emparelhar-se com Dilma e seus companheiros no alto do poder. Marta Suplicy, amiga de repórteres, exaltou o grupo de amigos que deixara em São Paulo, do tempo em que ocupara a prefeitura. O nome de José Eduardo, deputado e provável candidato a presidência do PT, é pouco conhecido. O ministro Jobim é candidato pronto para ser escolhido... Ciro Gomes é antiga estrela de lutas parlamentares e seu nome tem boa ressonância no grupo de trabalhistas tradicionais. Por seu turno, o Sr. Valter Pomar, pouco conhecido, é presidente do Grupo de Esquerda Trabalhista, apoiado por Jacques Wagner.
Pelos comentários dos principais jornais de São Paulo, procura-se estabelecer nas eleições do dia 2 de dezembro próximo uma preliminar: o vencedor na eleição para a presidência do PT seria o candidato a sucessão de Lula. Aliás, o “Estadão”, em sua edição do dia 17 p.p., traz Valter Pomar, presidente “Articulador da Esquerda Democrática”, falando da escolha do futuro sucessor de Lula, a que ele aspira, explicou sua posição: “Reivindicação de candidatura própria não é capricho!”. Assim, já sabem os petistas, que aquele discreto companheiro já é candidato a eleição do PT marcada para o próximo dia 1º/12. E esse “discreto companheiro” tem biografia: é jornalista, autor de um livro “A Armadilha da Dívida”, é economista laureado pela USP, militante de esquerda que se filiou ao PT em 1980. E é uma situação muito interessante para os milhares de simpatizantes do PT e do trabalhismo, pois podem discutir e analisar cada um dos nomes correligionários que aspiram conquistar algum dos galhos dourados do Poder Político, com carro último tipo e vencimento da Era Dourada de nossos dias...
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