Ruas de Franca matam mais que rodovias esburacadas


| Tempo de leitura: 3 min
Ainda faltam 36 dias para o fim de 2007 e Franca já bateu seu recorde anual de mortos no trânsito. De acordo com o Mapa da Violência nos Municípios Brasileiros, elaborado pela OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos), 80 pessoas morrem em média todos os anos na cidade vítimas de acidentes. A marca foi superada no fim de semana passado, quando um casal de namorados perdeu a vida depois de destruir o carro em uma árvore e muros do Jardim Paulistano. Até a tarde de sábado, 24, a relação de óbitos por algum tipo de desastre no trânsito já contava com 82 nomes. E quem pensa que as rodovias esburacadas e mal sinalizadas da região são as principais vilãs desse índice está enganado. A área urbana registra 42 mortes em 2007 contra 40 nas sete principais rodovias que cortam a região. O número foi levantado com base no arquivo de matérias publicadas pelo Comércio. Não há um controle atualizado por parte das autoridades locais. A Avenida Brasil - principal via de ligação para a zona norte da cidade - é campeã de acidentes, com seis vítimas fatais. Com o atropelamento ocorrido nesta sexta-feira (leia matéria ao lado), a Presidente Vargas assumiu o segundo lugar, com três mortes. A Rua Magistrado Renato Sales de Abreu, no Jardim Aeroporto, foi a responsável por dois casos. Os demais acidentes se pulverizaram em outros setores espalhados da cidade, como as Avenidas Abrahão Brickmann, São Vicente e Chafic Facury, onde a aposentada Odete Maria dos Santos, 68, foi vítima de um grave acidente por volta das 19 horas de ontem . Com 25 anos dedicados ao trabalho de resgate, o cabo Cícero, do Corpo de Bombeiros, perdeu as contas de com quantas vítimas fatais já se deparou. O policial não tem dúvidas ao explicar a razão de tantas mortes. “O corre-corre das pessoas é muito grande. Pedestres e motoristas não prestam atenção e não se respeitam. Esta loucura misturada ao consumo exagerado de álcool e ao excesso de velocidade é a principal causa dos acidentes. É preciso ter mais atenção e paciência”. Os dados levantados pelo Comércio sinalizam que também é preciso muito cuidado ao pegar as estradas para viajar. As rodovias da região foram responsáveis por 40 mortes este ano. A mais letal continua sendo a Cândido Portinari, com 19 óbitos. É importante ressaltar que a maioria das ocorrências se deu entre Cristais Paulista e Pedregulho, onde a pista é simples e o tráfego de veículos é intenso, principalmente nos fins de semana. O trecho compreendido entre o Franca Shopping e o Posto Paineirão causou cinco mortes. “Os acidentes estão diretamente ligados à conduta dos motoristas. Por mais que se oriente, casos de excesso de velocidade, ultrapassagens em locais proibidos e pessoas ‘guiando’ alcoolizadas são freqüentes. Pedestres também se arriscam atravessando ou caminhando pelas pistas, o que explica os atropelamentos”, comenta o tenente Cláudio Ferreira da Silva, comandante da Polícia Rodoviária. A Rodovia João Traficante (Franca/Ibiraci) é a segunda no ranking da matança, com 11 mortes. Na seqüência, aparece a Fábio Talarico (São José da Bela Vista) com cinco. Ambas têm pistas simples e têm como características o movimento intenso de veículos e a falta de conservação. O raio-X dos acidentes de trânsito mostra, ainda, que 25 pessoas morreram em 2007 vítimas de atropelamento em vias da cidade ou rodovias da região.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários