Crescem casos de contaminação entre mulheres


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Casos de aids em mulheres cresceu significativamente em Franca nos últimos anos: hoje, proporção na cidade é de 1,4 homem para cada mulher infectada com o vírus HIV
Casos de aids em mulheres cresceu significativamente em Franca nos últimos anos: hoje, proporção na cidade é de 1,4 homem para cada mulher infectada com o vírus HIV
Marina* tem 33 anos, 82 quilos e vem tentando emagrecer. Não toma nenhum remédio, trabalha como técnica em enfermagem junto a portadores do vírus HIV, tem dois filhos, uma menina de 13 anos e um menino de 7. Foi casada durante 14 anos e ficou viúva há dois. Por amor, mudou sua vida. E diz que não se arrepende de nada. A história seria comum e se confundiria com tantas outras não fossem as condições de seu casamento. Marina casou-se com um homem portador do vírus HIV, causador da aids (Síndrome da Imuno-deficiência Adquirida). Conheceu-o no hospital em que ele fazia o tratamento. “Quando me casei, sabia que ele era soropositivo. Vivia uma verdadeira história de amor e achava que não seria contaminada”, diz. Mas ela foi, e soube da contaminação após quatro anos de convívio. Apesar de conhecer os riscos, Marina ficou grávida e teve uma filha, hoje com 13 anos, que é saudável. Tempos depois, ficou grávida novamente e teve outro filho, atualmente com 7 anos. “Quando ele nasceu, tomou medicamentos por 45 dias. Também fiz tratamento para que a criança não fosse contaminada”, conta Marina. O marido morreu em 2005 e as duas crianças sabem que a mãe é portadora do vírus. “Mesmo o menino já sabe que sou portadora”. Dez anos se passaram. Mesmo sem tomar o coquetel anti-HIV, os sintomas da aids ainda não apareceram. “Se eu me considerar uma pessoa doente, eu vou adoecer. Eu não me considero com a doença. Eu não chamo isso para mim. Eu me sinto bem”, diz Marina. A história de Marina é apenas uma das 494 mulheres que fazem acompanhamento no Centro de Prevenção DST/Aids em Franca. Foi-se o tempo em que a doença era uma exclusividade de homossexuais ou homens. Entre as mulheres, antes pouco atingidas, a doença registra amplo crescimento, especialmente nos últimos cinco anos. Entre os novos casos, a maioria é de mulheres solteiras, heterossexuais, com primeiro grau completo e idade entre 20 e 40 anos. Hoje, a proporção na cidade é de 1,4 homem para cada mulher soropositiva. Em números absolutos, 704 a 494. No final dos anos 80 e início dos 90, essa proporção era bem diferente: uma mulher para cada 50 homens. Em Ribeirão Preto, a proporção ainda é menor: 1,28 homem para cada mulher contaminada. Em Araraquara, a cada 2 homens existe uma mulher com a doença. Limeira também registra aumento no número de mulheres soropositivas. Desde o começo do ano, foram registrados 12 novos casos envolvendo o sexo masculino contra 11 do feminino. Para Antônio Jorge Salomão, coordenador do DST/Aids de Franca, a “liberação para o sexo” é o principal motivo pelo aumento de contaminadas. “A mulher se liberou sexualmente e esqueceu que a prevenção é o mais importante. O não uso do preservativo colabora para o aumento da doença. A camisinha é a única solução para conter o aumento da aids”, diz Antônio Jorge. NA LUTA No dia 1º de dezembro, dia Mundial de Combate a Aids, o Centro de Prevenção DST/Aids de Franca vai ter programação especial na Praça Nossa Senhora Conceição. O evento começa às 8 horas e se estende por todo o dia com distribuição de panfletos de orientação e preservativos.

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