Seja para dar conta dos estudos quando tem que conciliar a vida profissional e a estudantil ou para curtir uma balada, muitos jovens abrem mão do descanso e passam as noites em claro. Neste jogo, quem padece é o corpo que, no outro dia, fica completamente “moído”.
Para o neurologista e especialista no estudo do sono, com experiência na área há mais de seis anos, o deputado federal Marco Aurélio Ubiali, o sono pode ser dividido em duas grandes fases. Desrespeitar essas etapas é um erro porque, durante a noite, o corpo executa funções importantes para o desenvolvimento do organismo. “O sono é como um computador. Ao longo do dia, vários programas são abertos, mas nem todos são necessários. É justamente durante a noite que o cérebro faz um back up daquilo que lhe interessa e fecha todas as janelas abertas”.
Segundo Ubiali, o tempo de sono varia de acordo com a idade das pessoas, mas, em média, os seres humanos dormem 1/3 de suas vidas. “Os recém-nascidos precisam descansar mais ou menos 22 horas por dia. Na adolescência, esse tempo diminui para 13 horas. Já os adultos dormem somente oito horas. Três a mais que os idosos. Só por aí já dá para se ter uma idéia do quanto é necessário”.
Quando a pessoa fica acordada por muito tempo, ela não repõe energias. Assim, o corpo se sente sobrecarregado, o que muda todo o seu metabolismo. Essa mudança afeta a capacidade de reflexo, a concentração, a memória, o humor e até o crescimento, uma vez que, de acordo com Ubiali, o hormônio responsável por espichar a molecada só é liberado durante o sono. “Sem contar que causa envelhecimento precoce, obesidade e problemas cardiovasculares”, disse a nutricionista Cinthia Parisi.
O estudante Rodrigo Bertoni Nascimento, 17, comprova os efeitos colaterais que a falta de uma noite bem dormida pode trazer. Ele está no terceiro colegial e, só neste ano, vai prestar sete vestibulares. A disputa é grande e, para não fazer feio, ele cumpre uma meta de estudar cinco horas por dia, além das cinco horas e meia que já passa na escola. Quando a tarde está ocupada com outras atividades, adivinha o horário que sobra para tanto empenho: a madrugada. “Já fiquei estudando até umas 4h30. No outro dia, eu tava travado, um caco, com dor no corpo inteiro”.
Rodrigo dá conta do recado, mas, assim como a maioria dos jovens, tem os seus segredinhos. “Tomo coca-cola e café durante a noite para não dormir em cima dos cadernos. E olha que funciona”. Para agüentar as noitadas em claro, muita gente faz a mistura de um monte de ingredientes que vão desde os mais inofensivos, como uma xícara de café, até comprimidos ou suplementos alimentares à base de efedrina, uma substância ilegal que ativa o sistema nervoso e deixa qualquer um ligadão.
Para quem não pode desgrudar a cara dos livros, outra dica é estudar durante 50 minutos e descansar dez para manter a atenção e relaxar um pouco. Mas acredite, dormir é involuntário e mais cedo ou mais tarde isso vai acabar acontecendo, mesmo sem você perceber. “Não há nada mais democrático que o sono, ele vem de qualquer jeito. Com 24 horas sem dormir, você já perde a atenção, mas uma pessoa não consegue ficar desperto, sem dar nenhum cochilo, por mais de 48 horas, caso contrário ela surta”, garante Ubiali.
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