A Unifran, maior instituição de ensino superior particular da região, pode ter novos donos em breve. Grupos nacionais e internacionais têm feito propostas para comprar a universidade. Não foi possível confirmar os valores ofertados nem todos os grupos interessados, mas profissionais ligados à área educacional e de contabilidade indicam que a proposta poderia chegar a R$ 170 milhões. A maior oferta confirmada pelo Comércio foi de R$ 120 milhões.
O reitor Clovis Ludovice, por meio de nota encaminhada pela assessoria de imprensa da universidade, confirma o assédio e o interesse, mas nega que a Unifran esteja à venda. “A Universidade de Franca tem conversado e recebido investidas de interessados em comprá-la”, afirma ele. As propostas e abordagens, segue a nota, são as mais variadas possíveis, inclusive de investidores internacionais. O texto é finalizado afirmando que, apesar do assédio, a Unifran não está à venda.
O movimento mais concreto em direção à compra do complexo educacional foi o do empresário Chaim Zaher, dono do Sistema COC de Ensino, com sede em Ribeirão Preto. Ele veio pessoalmente a Franca negociar a compra. O negócio é considerado de grande importância para o COC porque, há poucos meses, a empresa obteve autorização da CVM (Comissão de Valores Imobiliários) para abrir o capital e ingressar na Bolsa de Valores de São Paulo. Se fechado, o negócio valorizaria a marca.
Segundo duas pessoas que trabalham diretamente ligadas à diretoria do COC em Ribeirão, a empresa ofereceu perto de R$ 120 milhões à universidade de Franca. Desse total, R$ 70 milhões cobririam dívidas internas e outras contraídas no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), credor de empréstimos feitos nos anos 90.
Outro interessado no mercado de Franca é o Anhanguera Educacional, com sede em Valinhos (SP), primeira instituição de ensino superior autorizada a atuar na Bovespa. Ele tem 84 mil alunos com 28 unidades em 24 cidades em São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul. Em sua última investida, levou seis faculdades em um centro universitário por R$ 266 milhões.
O PROBLEMA
Notícias sobre a sondagem de grupos de investidores em torno da Unifran foram publicadas com exclusividade pela coluna Painel, de Valdes Rodrigues, na edição do Comércio da Franca de 11 de novembro. As negociações, segundo apurou o jornal, até agora não teriam avançado por dois motivos principais: primeiro, o valor oferecido pelos pretensos compradores estaria muito abaixo do esperado pelos controladores da Unifran e, segundo, o reitor Clovis Ludovice estaria resistente em se desfazer do negócio, ainda que parcialmente.
Dos dois fundadores, Clovis Ludovice, que mora em Franca, ainda mantém uma ligação umbilical com a instituição. Suas sucessivas negativas em fechar negócio contrastam com a posição de Abib Cury, que repassou sua parte na sociedade para a mulher e os filhos. Abib, o sócio que estaria mais disposto a vender a Unifran, tem residência em Ribeirão Preto e, apesar de seus filhos terem assumido sua parte na universidade, não mantém estreita relação com Franca.
Durante toda a quarta e quinta-feira, a reportagem tentou conversar com os reitores da Unifran, Clovis Ludovice e Abib Salim Cury. Nenhum dos dois quis falar com a reportagem. Da mesma forma, o Grupo Anhanguera não quis se pronunciar sobre o assunto, assim como o proprietário do COC, Chaim Zaher. Melissa Domenich, assessora de imprensa do COC, informou que Zaher não comentaria nada a respeito.
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