Criados para ajudar homens de meia idade com problemas sexuais, comprimidos para corrigir uma disfunção erétil têm se transformado em curtição para os jovens. É isso mesmo. Embalados pela curiosidade ou pela alegria de uns “gorózinhos” a mais, garotos de 17 a 25 anos estão tomando remédios para ereção sem a menor necessidade. Pode parecer engraçado, mas os especialistas garantem que a aventura é perigosa e pode colocar em risco a saúde desta galera.
A medicação tem como princípio ativo o citrato de sildenafil, um agente químico que entra na corrente sanguínea, fazendo com que a ereção do pênis dure mais (entenda como isso acontece no gráfico desta página). Até aí, tudo bem. O problema é que esses remédios são contra-indicados em alguns casos, mas, na maioria das vezes, os jovens não se preocupam com isso ou não sabem identificar se possuem as doenças descritas na bula que deveriam limitar o uso do medicamento.
Esses comprimidos são contra-indicados principalmente para pessoas com problemas cardíacos, que tomem remédios a base de nitrato, hepáticos e renais. “Pessoas sem resistência física para o ato sexual ou que tomem medicamentos para Aids também não devem se arriscar porque os efeitos colaterais vão desde simples dores de cabeça, tonturas, queda de pressão e vermelhidão no rosto até sérios casos de priaprimismo (ereção dolorosa prolongada não acompanhada de desejo que chega a causar impotência sexual)”, disse o urologista Marcelo Morickoshi.
A verdade, segundo o médico, é que os jovens não precisam desses medicamentos para se dar bem na cama e impressionar a parceira. “São perfeitamente capazes de ter um bom desempenho sem este recurso. O problema é que nessa idade a curiosidade fala mais alto”. Foi o que aconteceu com Ricardo*, 22. Há dois anos, ele e mais quatro amigos resolveram experimentar só para ver se funcionava mesmo. “A gente passou numa farmácia, rachou a grana e comprou dois comprimidos. Cada um tomou um pedacinho e ...”, disse aos risos. Depois da experiência, o Ricardão garante que o “trem” funciona. “Deu certo. Já tinha acabado e o ‘menino’ tava pronto para outra”. Ricardo disse que não sentiu nenhum efeito colateral, mas desde então decidiu não se aventurar mais. “Não foi por necessidade, era só para ver no que virava mesmo”.
Mas o que o jovem esqueceu de dizer é que ele e os amigos tinham exagerado na dose de bebidas alcoólicas. Cada um tinha tomado, em média, 6 latas de cerveja, mas mesmo assim eles experimentaram o remedinho milagroso. O urologista alerta que a mistura álcool mais comprimidos para ereção pode ter efeitos imprevisíveis (leia mais sobre o assunto no texto desta página), mas os jovens nem pensaram nisso. “A gente nem imaginou que podia fazer mal.
Tomamos e pronto”.
Para a psicóloga e analista do comportamento, Marluce Fagundes Carvalho, a insegurança é outro fator que leva os jovens a usar este tipo de medicamento. “Rola muita comparação nesta idade. Então, mobilizados pela insegurança, eles procuram estratégias que sejam garantia de sucesso na sexualidade. Uma dessas é o remédio”.
O medicamento não causa dependência química, mas, para Marluce Fagundes, o vício psicológico pode acontecer. “Eles criam regras de comportamento e passam a tomar o comprimido com freqüência. Tudo porque não têm capacidade para descobrir que não é só o desempenho que faz a diferença. E quando a situação piora, precisam procurar ajuda”.
Os remédios para ereção são vendidos apenas em comprimidos e cada um custa em média R$ 30. As marcas mais comuns são Viagra, Levitra, Cialis e Vivanza. A tarja vermelha deixa evidente que a venda do medicamento deve ser feita sob prescrição médica, mas algumas farmácias da cidade vendem com ou sem determinação médica, já que a retenção da receita não é obrigatória.
* Nome fictício
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