Pena de Edna cai para 130 anos de prisão


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Materiais utilizados no crime foram exibidos no júri de ontem: crueldade
Materiais utilizados no crime foram exibidos no júri de ontem: crueldade
Edna Emília Milani, uma das acusadas da autoria do crime conhecido como “Chacina de Batatais”, ocorrida em 26 de março de 2002, sentou mais uma vez no banco dos réus, por cerca de sete horas, durante o dia de ontem no Fórum daquela cidade. Às 17h30, a sentença: 20 anos de prisão pela morte de Talia Roberta Faccion, 3, uma das vítimas fatais do morticínio. A pena, somada à condenação anterior (110 anos) pelos outros sete crimes cometidos, totalizou 130 anos. Em sua primeira sentença judicial, a pena havia sido fixada em mais de 132 anos. O julgamento estava marcado para as 9 horas, mas passava das 10 quando o furgão que trazia Edna da Penitenciária Feminina de Tremembé (SP), onde cumpre pena, estacionou nos fundos do Fórum. Informações não oficiais dão conta de que houve problemas mecânicos em um dos veículos que fazia a escolta da detenta próximo a Jacareí (SP), o que teria motivado o atraso. [FOTO2] Pesando pelo menos 20 quilos a mais que em seu primeiro julgamento, em maio de 2006, a ré parece ter se produzido para a ocasião: unhas dos pés e das mãos cuidadosamente pintadas com esmalte da cor “renda”, cabelos pretos longos e brilhantes e uma tatuagem aparente, supostamente com os nomes dos três filhos, no braço esquerdo. Mesmo tendo confessado em seus depoimentos e narrado com riqueza de detalhes como ela e seu namorado da época, Carlos Fabiano Faccion, e um adolescente, mataram cinco pessoas, feriram outras duas gravemente e provocaram um aborto, Edna, ontem, a exemplo do julgamento anterior, voltou a negar veementemente qualquer participação nos crimes. A estratégia de embargar a voz e mostrar um choro visivelmente forçado foi novamente utilizada por ela. As respostas evasivas e contraditórias às perguntas da Promotoria a respeito dos detalhes do crime foram dadas sob choramingo. O “pranto” aumentou quando a ré foi dizer que só confessou a matança no dia do crime porque sentia medo de Fabiano. “Como eu ia tomar alguma atitude (dizer que era inocente) com a minha filha ameaçada?”, disse. O novo julgamento de Edna foi marcado após recurso de protesto por um novo Júri, ocasionado quando o réu é condenado a 20 anos ou mais de reclusão em um crime. A juíza que presidiu os trabalhos, Adriana Gatto Martins, explicou que a pena base de 12 anos pela morte de Talia foi mantida. A redução em relação ao primeiro julgamento foi resultado de uma somatória pelas quatro qualificações ter sido feita com outro método. “A diferença é apenas a matemática. Eu adicionei 2/3 à pena base de 12 anos. Já a juíza do julgamento anterior utiliza a somatória ‘capitalizada”, afirmou Adriana. Os advogados de Edna, Marlon Cléber Silva e Braz Porfírio Siqueira, disseram que entrarão com recurso para tentar reduzir a pena ou provar a inocência da ré. Eduardo Pereira Gomes, promotor do caso, disse que “talvez haja recurso do Tribunal para que a pena seja novamente elevada”.

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