Homens, laços e redes


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O nó que faltava para o laço branco da paz, ou seja, pela não violência contra mulheres, foi dado por homens, atores sociais de uma grande rede de organizações da sociedade civil, conhecida como RHEG (Rede de Homens pela Eqüidade de Gênero). Esse conjunto da sociedade entende a violência como um problema de todos, por isso, exige o envolvimento direto dos homens. É uma corrente cultural que se conscientizou da necessidade de mudanças não apenas teóricas, mas sóciopolíticas. Percebem, denunciam e propõem uma mudança de perspectivas e valores frente a essa patologia. É deles a Campanha do Laço Branco - Homens pelo fim da Violência contra a Mulher. A agenda mundial destaca o dia 25 próximo como o ‘Dia Mundial da Não Violência contra as Mulheres’. Essa campanha prevê 16 dias de ativismo, encerrando-se no dia 6 de dezembro, data escolhida por lei federal como ‘Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher’. Não se preocupem, nenhum dos dois dias é feriado... ainda! No dia 6 de dezembro de 1989, no Canadá, um crime mobilizou a opinião pública de todo o país, levantando a poeira escondida debaixo do tapete, o desequilíbrio social entre homens e mulheres. Na Escola Politécnica de Montreal, um jovem de 25 anos enfurecido, invadiu uma sala de aula, pediu que os homens se retirassem e matou a sangue-frio 14 mulheres. ‘Não suportava ver mulheres estudando engenharia e ocupando vagas de homens’, foi seu legado suicida. A partir de então, um grupo de homens do Canadá decidiu se organizar para dizer que repudia essa violência. Estes homens elegeram o laço branco como símbolo e adotaram como lema jamais cometer um ato violento e não fechar os olhos contra essa violência. Assim lançaram a Campanha White Ribbon Campaign (Campanha do Laço Branco). Ser homem, não é ser naturalmente violento. Sua grande maioria rejeita qualquer forma dessa representação. Aquilo que pode diferenciar a vida selvagem é justamente a capacidade do humano em modelar a própria conduta, não por determinações naturais, mas por hábitos e valores sócioculturais. Logo, o determinante não é o DNA, mas sim aquilo que pode ser transmitido por meio de símbolos, linguagem, valores, e principalmente por laços afetivos a serem construídos ou destruídos. Refazer e consolidar esses laços é um desafio permanente, que exige paciência e determinação, se torna acessível a uma sociedade pelo ressurgir de uma nova cultura de paz. O Instituto Papai sediado no Recife, que coordena a campanha no Brasil, busca envolver o maior número possível de homens, através de assinaturas e adesões à rede. Constitui ação midiática marcada pela voz masculina, demonstrando que se existem agressores existe um número muito maior que condena a violência. Seis mil homens já foram às ruas no Recife usando o laço branco como símbolo de adesão à campanha. Laço preto fica para aqueles homens e mulheres que se desrespeitando crêem no uso da força física ou psicológica para a realização de seus desejos. Esse pessoal que se entenda com a polícia e o Judiciário. Em especial aqueles que se dizem respeitadores da lei, mas são autores de violência. Laço branco para homens que gostariam de zelar pelo bem-estar de irmãos e irmãs que, com certeza, mais do que temidos ou agredidos, gostariam de se sentir amados em sua própria casa. Vamos usar o laço? VAIA JUSTÍSSIMA É preciso vaiar em repúdio à decisão do juiz Edílson Rumbelsperger Rodrigues, de Sete Lagoas, Minas Gerais, que tem rejeitado pedidos de medidas contra agressores. Argumenta que a Lei Maria da Penha (11304/06) seria inconstitucional. Chauvinista, cita o livro do Gênesis, atribuindo a Eva a desgraça da humanidade, que como as demais, se aproveita da ingenuidade e tolice emocional dos homens, cuja sagacidade lembra o demônio. Adverte ainda que essa lei é uma grande armadilha para os homens obrigando-os a amolecerem, em franca oposição ao Estado Democrático de Direito e à eqüidade. Socorra-me, Vanderléa: senhor juiz, cale-se agora... Aliás, cale-se para sempre, se possível... PAUSA PARA O CAFÉ O prefeito Sidnei Rocha chega para o cafezinho portando um laço branco com os dizeres “Paz e Amor’. Pioneiro no uso do laço em Franca, rompendo preconceitos, não se acanha com tal adereço e com certeza perturba ‘uns e outros’ como sempre. Perguntado se usará o laço branco na campanha de reeleição, fez silêncio. Enigmático ao sorver um café forte adoçado com cristal e gotículas de amor perfeito. Delicado e breve como a bruma! Bem a seu estilo. MOSAICOS O Conselho Municipal da Condição Feminina em parceria com o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) da Sedhas (Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social) prepara a Campanha do Laço Branco, com o objetivo de colher assinaturas de homens para adesão ao movimento, e articular um trabalho sócioeducativo. A assistente social Maria Inês Coimbra e toda sua equipe cuidadosamente escolhida é especializada em casos de violação de direitos e negligência contra Idosos. São mulheres e crianças do premiado projeto Mosaico. Gente que conhece mesmo! As adesões já começaram e podem ser feitas através do conselhos@franca.sp.gov.br ou diretamente na Casa dos Conselhos com Edna Liberti, à Rua Francisco Barbosa, 1540, telefone 3711-9016

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