Moradores do Centro e do Jardim Ipanema não agüentam mais conviver com sujeira e bichos em locais próximos às suas casas, já reclamaram à Prefeitura e, há meses, esperam providências.
Os problemas mais antigos acontecem em plena Avenida Presidente Vargas, na região central. Décadas atrás, o imóvel número 148 abrigou o Cine Avenida, mas, segundo vizinhos, está desocupado há cerca de cinco anos e tem servido de “casa” para ratos, baratas e escorpiões.
A casa da professora aposentada Arlene David, 59, faz fundo com o prédio e ela não suporta mais ter sua residência invadida por roedores e escorpiões. “A sujeira está demais. À noite, ouvimos os ratos andando pelo teto. Já gastei uma fortuna com veneno, comprando tela de aço para os ralos e com dedetização, mas nada resolve”.
Arlene disse ter chamado a Vigilância Ambiental para inspecionar o local, mas não adiantou. “O fiscal apenas me disse que não tinha como entrar no imóvel e nada fez. E agora, como vou me livrar desses bichos? Acho que se os donos não vendem nem alugam, deveriam, pelo menos, manter limpo”, disse.
Cleudison Ribeiro, dono da banca de jornais em frente ao prédio, confirmou os problemas. Ele, que passa boa parte do dia no local, já presenciou escorpiões e baratas saindo pela porta. “Um dia uma senhora estava no ponto de ônibus e saiu correndo por causa do escorpião. A coisa está feia aí dentro. Têm de derrubar tudo”, disse ele, que trabalha no ponto há 27 anos.
Um dos donos do imóvel, Rafael Antônio, disse à reportagem que acha pouco provável que os animais estejam vivendo na sua propriedade. “Vamos lá quase todo mês e, pelo menos quando estamos lá, não vemos baratas, escorpiões ou fezes de ratos. O lugar está vazio, sem entulhos ou coisas que poderiam servir de alimentos. É mais fácil ter bichos no supermercado onde tem alimentos e tudo mais que no imóvel”, disse.
Embora não acredite que o problema esteja no imóvel, a impressão que se tem do lado de fora é de que está sujo, pois há lixos rentes às portas, que estão velhas, e ontem foi possível ver duas baratas na entrada.
Rafael disse que a área foi dedetizada há alguns anos e não há previsão de refazer esse serviço. A família não tem intenção de vender, mas, sim, alugar o espaço. “É um patrimônio da família, que prestou serviços muito tempo para a cidade”.
Fernando Baldocchi, chefe da Vigilância Sanitária Municipal, não foi localizado ontem para comentar o assunto.
Outro ponto problemático na cidade é um terreno baldio na Rua Miguel Lourenço de Oliveira, no Jardim Ipanema. Moradores próximos disseram que, para poder construir uma casa no terreno que é íngreme, há quase um ano, o proprietário decidiu aterrar o local com entulhos. A obra acabou embargada pela prefeitura e paralisada, mas os restos de construções permaneceram no local.
Com o tempo, algumas pessoas passaram a usar o terreno como depósito de lixo. “Já jogaram até vaso sanitário e cachorro morto aí. O cheiro de carniça chegou na minha casa”, disse a dona de casa Cecília Morais, 54, que reside em frente ao terreno.
O marido dela já procurou a Prefeitura e foi avisado para aguardar 15 dias para o dono ser intimado. “Não resolveu muito. O dono até afastou os entulhos com a máquina, mas logo despejaram sujeira aí de novo. E isso é direto, dia e noite. Já pedi para um dos carroceiros parar, mas ele virou e falou: ‘todo mundo faz’”.
Só ontem, a reportagem flagrou o mesmo carroceiro despejando entulhos na área duas vezes no intervalo de 20 minutos.
Consultado sobre sua atitude, disse saber que a deposição em terrenos baldios é proibida e que “poderia prejudicar o meio ambiente, mas depositava assim mesmo”. “O pedreiro me autorizou, por isso venho. Tem caminhões depositando também”. O dono do lote não foi localizado para falar a respeito do problema.
Ismael Xavier, chefe do setor de Fiscalização da Prefeitura, disse que pretende visitar os dois locais nesta sexta-feira.
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