O Comércio tem publicado em seus cadernos anúncio convidando crianças e adolescentes à participação em concurso que tem por objetivo escolher três desenhos com tema natalino. Estes se transformarão em cartões e serão enviados a todos os assinantes do jornal, por ocasião das festas de fim de ano. Para participar, estudantes até 15 anos deverão desenhar ou pintar em papel sulfite uma cena de Natal, Ano Novo ou Boas Festas, enviando o desenho, com nome completo e endereço, para a sede do Grupo Corrêa Neves de Comunicação - Avenida Elisa Verzola Gosuen, 3103.
A idéia do concurso surgiu na pauta de escolha de matérias para o Clubinho, suplemento infantil deste jornal. O caderno, que já completou dez anos, vem se transformando para que a participação de seus leitores seja cada vez mais expressiva. Novas seções, mais cores, interação maciça - estes têm sido os objetivos da editoria, do repórter Rafael Augusto, da colaboradora Vanessa Maranha, dos diagramadores e arte-finalistas - Ricardo Terêncio, Levi Novato Faleiros, Eduardo Bomfim Felício, Julia Nightgale e Luciene Cristina Ferreira.
A arte do cartão postal é relativamente recente. Nasceu em meados do século 19, na Londres de Charles Dickens, em consonância com os temas de contos e romances deste escritor inglês que se tornaria um clássico. Não por acaso, os primeiros cartões do gênero de que se têm notícias poderiam ilustrar perfeitamente narrativas como Oliver Twist, Nicholas Nickleby, David Copperfield... e Canções de Natal, claro.
Conta-se que o criador dos quatro primeiros cartões, Henry Coyle, diretor do Museu Britânico e homem muito ocupado, desejoso de cumprimentar familiares e amigos por ocasião do Natal e do Ano Novo de 1834, teria pedido a um amigo, John Callicot Housley, que lhe fizessse os cartões com dizeres apropriados e de forma que ele apenas os assinasse. Era uma dessas idéias simples que se transformam rapidamente em sucesso porque respondem à necessidade do momento. O executor estava talhado à altura, já que era um artista plástico, e o que seria apenas uma solução doméstica transformou-se no Natal seguinte em moda. Callicot não apenas escreveu, também desenhou no verso dos cartões cenas que mostravam crianças pobres recebendo roupas e comida. Lojas londrinas de artigos de papelaria instaladas em Oxford Street já exibem no ano seguinte, 1835, cartões de Natal do tipo encomendado por Coyle.
Papai Noel só apareceria nos cartões de Boas Festas cinco décadas depois, já na América e fortemente vinculado ao consumo: oferece mais que presentes infantis: os gramofones da RCA Victor, as canetas-tinteiro de Watermans e de Red DWarf, as sopas Campbell´s, os produtos de higiene da Colgate, as camisas da Bolsson. E pneus, wafles, batatas, apple pie...
No começo do século 20, dois artistas descobrem que é prazeroso e lucrativo assinar uma cena natalina a ser reproduzida em escala industrial: Julius Bien e Thomas Nash são os primeiros a abrir caminho para centenas de outros, na América e na Europa.
Em sua origem, como se pode ver, o cartão de Natal reproduziu primeiro cenas profanas; depois vieram as religiosas. E essa característica persiste até hoje. Uma exposição que o Museu Paranaense está abrigando desde a semana passada nos fornece elementos para avaliar que no Brasil as tendências seguiram as da Europa e dos EUA. A mostra se chama A evolução do cartão de Natal no Brasil. Vemos ali cartões de 1892, da Família Ramos; de 1893, da Família Sarmenho; de 1897, da Família Corrêa - são os mais antigos. As ilustrações variam: uma moça ruiva segurando uma cesta de vime com uvas e garrafas; um Noel (magrinho!) com um saco de estopa às costas, de onde caem brinquedos, a maioria bonecas de pano e marionetes; uma bandeja com pinhas de vários tamanhos e ao lado velas acesas; duas meninas loiras, bem agasalhadas; um lenhador de botas e roupas pesadas cortando um pinheiro. Ilustrações com ícones religiosos são datadas depois deste período, já no século 20. Observando esses cartões que compõem a exposição do museu do Paraná concluímos que em sua maioria eles acabam por traduzir recortes das comunidades onde foram produzidos.
O importante é perceber a unidade temática: é a comunidade que se retrata. E o que são as festas de fim de ano senão ritos de passagem para um tempo que se augura melhor para a comunidade à qual pertencemos?
Fica então o convite para que pais, professores, amigos incentivem crianças e adolescentes a participar desta idéia, criando cartões sob tema livre que podem reproduzir tanto o espírito cristão que norteia a comunidade, como cenas do cotidiano de Franca, já tão diversa na sua população de mais de 300 mil habitantes.
O concurso que escolherá os três melhores encerra-se no dia 3 de dezembro. Haverá prêmios para os três primeiros colocados: uma bolsa de dois anos na Know How, escola de inglês; um videogame e uma bicicleta. O prêmio de maior visibilidade, entretanto, será assinar milhares de cartões que serão enviados com mensagens de Boas Festas aos leitores do Comércio da Franca.
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