Enfrentando uma interminável crise dentro de campo, a Associação Atlética Francana está às voltas com outro grave problema para resolver, desta vez fora das quatro linhas. Duas semanas após se afogar nas piscinas do clube, o sapateiro José Hudson Alves, 39, não resistiu às lesões e morreu. Familiares afirmam que não havia salva-vidas no local e que a vítima só perdeu a vida por causa da negligência. Inconformados, prometem acionar o clube na Justiça.
Sexta-feira, 2. Por volta das 11h30, José Hudson deixou sua casa, no Jardim Portinari, para curtir o Feriado de Finados com suas duas filhas, uma de 6 e outra de 14 anos. O dia estava ensolarado e o local escolhido foi o clube da Francana, na Rua Simão Caleiro, Centro. A diversão ganhou contornos dramáticos às 15h30, quando o sapateiro tentou atravessar a piscina nadando.
Ele afundou repentinamente e ingeriu muita água. A maneira como o socorro foi prestado é a causa de toda a polêmica. Ainda no dia dos fatos, parentes de José Hudson disseram que ele foi retirado das águas por freqüentadores do clube, que tentaram reanimá-lo até a chegada dos bombeiros. “Ele tentava segurar na beira da piscina, mas não conseguia. Afundou várias vezes. Gritava para alguém ajudá-lo”, disse Roseli Campos Miranda, tia do sapateiro.
A vítima foi socorrida inconsciente e levada para a Santa Casa. Foi transferida posteriormente para o Hospital São Joaquim. Na tarde de terça-feira, 20, os médicos constataram sua morte. “Estamos inconformados e revoltados. Ele só morreu porque não havia seguranças na piscina. Os médicos disseram que, se tivesse sido salvo a tempo, teria sobrevivido. Meu irmão ficou cinco minutos tomando água suja. Não havia nenhum salva-vidas. Foi um banhista que tentou salvá-lo”, lamenta Sirlene Soares, irmã de José Hudson.
O presidente da Francana, José Servino Braga, refuta as acusações e garante que o clube fez os procedimentos corretos. Para ele, a vítima teria sido imprudente. “Havia dois salva-vidas no dia, que fizeram os primeiros socorros. Ele não podia beber, mas bebeu. Pedimos para não entrar na piscina, mas não nos ouviu. Não podemos tirá-lo à força. Agora, familiares estão sendo induzidos a falar para tirar proveito da situação. Nosso clube é bem cuidado e recebe a visita de mil pessoas por semana”.
A afirmação do presidente colocou mais fogo nas discussões. “Se apareceu algum salva-vidas, agora, é porque compraram. Temos provas de que não havia seguranças no dia e vamos acionar o clube na Justiça. Devido à irresponsabilidade dos administradores, duas crianças ficaram órfãs de pai. Os culpados vão ter que pagar”, finaliza Sirlene. O corpo de José Hudson foi sepultado ontem à tarde no Cemitério Municipal de Cássia.
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