Franca deixou de exportar nestes dez primeiros meses do ano 700 mil pares de sapatos, o equivalente à produção de quatro fábricas de médio porte. O número de calçados vendidos ao exterior caiu de 5,315 milhões em 2006 para 4,651 em 2007, o que representa um saldo negativo de 12,48%. É como se, a cada dia, a cidade deixasse de embarcar 2.182 pares de calçados.
O valor exportado em dólares, no entanto, não acompanhou a queda da produção, embora também tenha caído. De acordo com o Sindifranca (Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca), as vendas externas em dólar tiveram um saldo negativo de 5,43%, passando de US$ 115,69 milhões para US$ 109,41 milhões.
A equação, difícil de se entender por causa da baixa cotação da moeda americana, é justificada pelo preço do produto. O calçado francano está 8,04% mais valorizado. Enquanto o valor médio acumulado do par de sapato exportado pela cidade estava em US$ 21,77 em outubro do ano passado, no mesmo ano de 2007 o preço unitário era de US$ 23,52.
A explicação, para o presidente do Sindifranca, Jorge Donadelli, está na qualidade e na diversificação do mercado. “ O estrago não é maior porque está havendo um esforço concentrado por parte do setor de produzir sapato de melhor qualidade e buscar mercados alternativos para poder vender por um preço melhor”.
A quantidade de pares vendidos individualmente também conta para o aumento do preço. “Quando você vende um pedido menor, para um cliente menor, você tem condição de apresentar um produto um pouco mais elaborado, por um preço um pouco melhor. É o que está acontecendo”.
Sobre a queda no número de pares exportados, Donadelli diz que ele reflete o fechamento de empresas. “A gente pode atribuir aos casos de fechamento de empresas e mudanças de fábricas daqui para o Nordeste”.
SEM COMEMORAÇÃO
Téti Brigagão, gerente de marketing da Sândalo, vê estes números com cautela. “O momento não é de alegria não. Não estamos eufóricos. Onde o Sindifranca aponta que caiu 5,43%, a Sândalo teve uma queda de 32%. Em número de pares, foi 35%. Nós não estamos vendendo um sapato mais caro do que no mesmo período do ano passado”. Para o futuro, Téti acredita que as exportações terão vendas menores e que deverá haver uma disputa para se conseguir o mercado interno. “Temos que melhorar nossa performance por aqui”.
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