Normalmente calado, o vereador e delegado de polícia Marcelo Caleiro (PMDB) raramente vai à tribuna. Quando o faz, é para defender algum projeto de sua autoria ou para elogiar as iniciativas de colegas de Legislativo. Ontem, porém, Caleiro “apelou”. Indignado com a proposta da meia-entrada para todo mundo, o peemedebista pediu a palavra e desabafou. “É um dos projetos mais absurdos que já vieram para a Câmara. É um verdadeiro passa-moleque (emboscada, armadilha)”, disse, na tribuna.
Outros parlamentares tentaram apaziguar a situação, sobretudo o líder do prefeito, Jepy Pereira (PSDB), acenando com o adiamento do projeto. Caleiro, mais uma vez, foi incisivo. “Sou contrário ao adiamento também. Por mim, a gente já deveria votar e rejeitar isso hoje mesmo”, afirmou.
No embalo de Caleiro, Marcelo Mambrini (PMN) discursou e disse que o adiamento deveria, inclusive, ser revisto. Pediu à Mesa Diretora, naquele momento presidida por Marcelo Valim (PSDB), que revisse a votação. “O plenário é soberano e já decidiu pelo adiamento. Não há como rever isso”, disse o tucano.
Curiosamente, os dois petistas, Gilson Pelizaro e Silas Cuba, votaram favoráveis ao adiamento o que, teoricamente, foi bom para o prefeito Sidnei Rocha, adversário político de ambos. Na verdade, a postura, de acordo com eles, foi estratégica. “As pessoas ganharão tempo para ver o tipo de iniciativa que o prefeito adota. É estranho esse projeto, porque ele próprio promove shows, por meio de suas emissoras de rádio. Para mim, ele está legislando em causa própria”, provocou Pelizaro.
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