Errar é humano, mas quando o assunto é moda a galera não perdoa e o mico por conta de um visual exagerado ou de uma roupa mal combinada é inevitável. Os garotos sofrem um pouco menos, mas, mesmo com a liberdade e variedade de estilos que existem hoje, homens e mulheres, de vez em quando, dão aquela escorregada e fogem aos mandamentos do mundo fashion.
Para o diretor do curso de Moda da Unifran (Universidade de Franca), Julius Pimenta, a escolha da roupa é algo muito pessoal e existem peças que mesmo aparentemente estranhas não podem ser consideradas como erros. “Afinal, itens como praticidade, ocasião, estado de espírito e até a profissão da pessoa devem ser levados em conta”. Mas isso não ameniza nem serve de desculpa para as pessoas se vestirem sem o menor bom senso.
Para os homens, o maior risco está nos trajes sociais. No duelo para decidir com que roupa ir a uma festa de gala, muitos acabam escolhendo uma gravata do Piu-Piu que, para eles, cai superbem com uma camisa de manga curta, um sapato social e aquela meia branca grossa que mais parece uma sanfona. “Sem falar nos ternos de cores exóticas que não combinam de jeito nenhum com a ocasião”. Para tanta formalidade, eles ainda guardam o conjunto do ano: suspensório, cinto - de preferência com aquela marquinha de usado -, gravata e lenço, todos com a mesma estampa. “Um horror. Primeiro porque suspensório e cinto não têm nada a ver e outra porque combinar estampas é péssimo”, diz Julius Pimenta.
Já no caso delas, o problema é mais delicado. Elas se perdem em meio a tantas opções e, no fim da produção, parecem um porta-jóias. “O universo feminino tem tantas opções que elas se atrapalham. Querem usar um pouco de cada coisa e não percebem que estão exagerando”, disse a estilista Monique Geraldelli.
Os clubes aquáticos são a maior prova disso. Neles, sempre encontramos uma mulher cheia de balangandãs, tomando sol para virar uma zebra ou dando chilique na piscina porque perdeu mais um dos seus brincos. “Não há necessidade de ir à piscina de um clube com tantos acessórios. É um exagero”. Muitas mulheres também esquecem o equilíbrio no visual na hora de se maquiar ou se vestir. O resultado? Bolsas gigantescas com roupas elegantes; blusas transparentes com o sutiã à mostra em plena segunda-feira ao meio-dia e bota de cano curto com a calça jeans para dentro. “Nestes casos, o certo seria bolsa de mão, blusa de um tecido bem leve e uma bota de cano alto”, disse Julius.
Isso, porém, não é nada perto das calças justíssimas que elas adoram usar com calcinhas pretas, vermelhas ou com as de rendinha. “Para combinar muitas mulheres ainda escolhem sutiãs bege-vovó ou branco-sujo para usar no lugar dos tops ou de sutiãs mais delicados como aqueles com alças de strass e bordados”, disse Monique.
Mas essas pessoas ainda têm salvação. Para os especialistas, o segredo é respeitar seu próprio estilo e não forçar a barra. Entender, ao menos, um pouquinho sobre moda também ajuda. “As pessoas erram muito porque acham que, para estar bem vestidas, precisam revolucionar geral. Não é isso. Cada um tem uma maneira de se vestir e é possível fazer sua própria moda, adequada ao seu biotipo e ao seu gosto. A dica é não fugir completamente do seu mundo”, disse Monique.
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