O chamado PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) da Inovação, anunciado anteontem tentará, pela primeira vez, articular as diversas ações de tecnologia espalhadas por todos os ministérios e pelo setor privado.
Desde os anos 50 o Brasil fez um grande investimento na formação de mestres e doutores, pouquíssimo em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I), que é o motor das modernas economias mundiais.
Vários institutos foram criados nos anos 50 e bolsas de estudo foram concedidas desde então. Nos anos 70 surgiram os primeiros financiamentos à inovação nas empresas, com o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos).
Finalmente, no crepúsculo dos anos 90 foram criados os Fundos Setoriais, mas que, desde o início, padeceram com o contingenciamento de seus recursos. Ao mesmo tempo, com a abertura da economia, a partir dos anos 90 as empresas entenderam a importância de investir em inovação, mas pouco se avançou nessa área.
O grande desafio será a criação do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), a partir do modelo desenvolvido pela Embrapa nos anos 70.
Para montar seu sistema, a Embrapa construiu centros federais e fez articulação com 17 instituições estaduais. Ela entrou com recursos, equipamento e as estaduais com equipamentos e pessoal. Em troca, as estaduais assumiram obrigações. Esse pacto permitiu a articulação das pesquisas agrícolas, o fim do retrabalho e a montagem de grupos inter-departamentais para avançar nos trabalhos.
O Sibratec contará com um Comitê Diretor, com representantes de todos os ministérios, institutos federais, estaduais e privados, e associações empresariais envolvidas. E três comitês técnicos para tomar conta.
1. Atividades de extensão voltadas especialmente para pequenas e micro empresas, em estreita colaboração com o Sebrae.
2. Produção de análises técnicas e serviços tecnológicos de maneira geral
3. Grupo menor de entidades, incluindo alguns grupos universitários, para atividades de P,D&I.
A cenoura acenada pelo MCT serão os recursos da Finep, do FNDCT e o BNDES. Ontem mesmo, um dia após a assinatura do decreto criando o sistema, foram enviados convites para as diversas instituições que farão parte do Comitê Diretor, para que indiquem um representante cada.
Daqui a duas semanas, na primeira reunião, serão discutidos critérios de seleção das instituições que farão parte do Sibratec, assim como o termo de adesão.
As instituições terão que assumir compromissos com a criação de uma carreira para técnicos e pesquisadores, e compromissos com metas de desenvolvimento de problemas.
Na área de extensão, as atividades serão mais locais. Mas no campo da inovação, haverá a formação de consórcios de empresas visando discutir as necessidades de algumas cadeias produtivas, como fármacos e medicamentos e desenhos de circuito integrado.
Hoje em dia, o custo do desenho do chip é maior do que a fabricação. O MCT já investiu em sete grupos que estão sendo capacitados. E há empresas trabalhando como clientes.
OCEAN AIR
Em um momento de críticas à TAM e à Gol - que, juntas, possuem quase 90% dos vôos domésticos no País -, a OceanAir, vista pelo Ministério da Defesa como alternativa ao chamado duopólio da aviação brasileira, anunciou hoje a compra de 28 aviões da Airbus. Hoje, a frota da empresa é de 26 aviões. O presidente da companhia, German Efromovich, dono do grupo Synergy, com investimentos em petróleo e que controla também a companhia colombiana Avianca, afirmou que a brasileira, hoje com 2,9% do mercado, quer chegar a até 15% dos vôos domésticos em 2010. Após o anúncio neste mês da suspensão de operações da BRA, a OceanAir realizou um acordo para transportar os seus passageiros com bilhetes já emitidos e quer ocupar o espaço da companhia aérea.
Também diz querer disputar com as grandes, apesar do ceticismo da concorrência até agora, e enfatiza que não abandonará os vôos regionais. Em março, segundo Efromovich, a empresa começa a operar quatro vôos diários na ponte aérea Rio/São Paulo - ela tem autorização para outros seis. Os aviões, sete A330/200 (de 253 assentos, usado em vôos internacionais), 14 A319 (124 lugares) e sete A320 (150 passageiros), chegam a partir de 2009. O investimento foi de US$ 2,5 bilhões. São aviões para serem usados em rotas muito demandadas pelos passageiros.
TRABALHO AOS 13
Um adolescente de 13 anos de Fernandópolis (SP) conseguiu na Justiça Estadual autorização para trabalhar em uma oficina mecânica. A decisão ocorreu após o pai do menino procurar o Conselho Tutelar e entrar com uma ação judicial. “O interesse partiu dele. Há dois anos que ele pede para trabalhar”, disse o pai do rapaz, José Carlos Gavioli, 45. A autorização para que o adolescente trabalhe fora do horário escolar, na condição de aprendiz, foi dada pelo juiz Evandro Pelarin, da Vara da Infância e da Juventude, e pelo Conselho Tutelar da cidade. Em ofício emitido pelo Conselho Tutelar, o órgão informou que a autorização ocorreu conforme o artigo 60 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que diz que “é proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos de idade, salvo na condição de aprendiz”. Fatores como o bom rendimento escolar do rapaz e o desejo da família para que ele desenvolva uma profissão foram levados em consideração pelo juiz. Ele começa a trabalhar hoje.
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