Avenida Brasil mata seis em 2007


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Trecho da Avenida Brasil no Jardim Brasilândia apontado pelos bombeiros como o mais propício a acidentes: via registrou mais acidentes em 2007 do que a mal conservada rodovia Fábio Talarico
Trecho da Avenida Brasil no Jardim Brasilândia apontado pelos bombeiros como o mais propício a acidentes: via registrou mais acidentes em 2007 do que a mal conservada rodovia Fábio Talarico
Uma das maiores vias da cidade, a Avenida Brasil vem se firmando como a mais perigosa de Franca. Sozinha, responde por aproximadamente 20% das cerca de 15 ocorrências diárias de acidentes registradas pelo Corpo de Bombeiros. Todos os dias, os atendentes recebem, em média, três chamados para socorrer pessoas acidentadas no local. 90% das ocorrências se referem a batidas entre carros e motos. Casos de atropelamento são outra preocupação. Tantas batidas têm o seu preço. A tragédia de domingo em que um casal de namorados morreu após destruir seu carro não foi um fato esporádico. Em 2007, seis pessoas já perderam a vida vítimas de acidentes de trânsito na Brasil. Nenhuma outra avenida matou tanto na cidade. Segundas colocadas no ranking da matança, a Presidente Vargas e a Magistrado Renato Sales de Abreu (Jardim Aeroporto) respondem por dois óbitos cada. A Brasil chega a ser mais mortal, inclusive, do que a perigosa Rodovia Fábio Talarico (Franca/São José da Bela Vista), que foi palco de cinco mortes no ano. Segundo levantamento do Corpo de Bombeiros, o trecho mais perigoso da Avenida Brasil é justamente o final, a partir da Escola Ângelo Gosuen, no Jardim Brasilândia. Trata-se de um quilômetro de descida acentuada, sem semáforo ou redutores de velocidade. Para complicar ainda mais, uma saliência no asfalto - espécie de barriga - faz os veículos em alta velocidade se descontrolarem. Apesar do perigo, o local virou uma pista de corrida, onde motoristas e motoqueiros travam disputas de racha. Cerca de 40% das ocorrências da Brasil acontecem neste trecho. Foi lá que os namorados Robson Luiz e Amanda Oliveira morreram no domingo. Em fevereiro de 2004, o sapateiro Wesley Fagundes Pinto, então com 19 anos, também morreu após bater seu carro em duas árvores e na parede de uma fábrica exatamente no mesmo quarteirão. Além de Robson e Amanda, morreram em acidentes de trânsito na Avenida Brasil em 2007: Francisco Ferreira Borges, 66 (atropelado por moto); Joaquim Alves de Oliveira, 78 (atropelado por moto); Ednaldo Carrijo, 41 (choque entre motos) e Fulgêncio Mendes Oliveira, 88, (atropelado). Os constantes acidentes têm assustado usuários e moradores próximos da via pública. O tráfego de veículos é intenso, principalmente, das 11 às 17 horas, quando funcionários deixam as centenas de fábricas existentes no Jardins Paulistano e Panorama. É a hora em que motos, bicicletas, carros, ônibus e pedestres disputam o mesmo espaço. Muitas vezes, trafegando pela contramão. A Avenida Brasil tem quatro quilômetros de extensão. Corta cinco bairros e é a principal via de ligação entre a área central e a zona leste de Franca. Começa no cruzamento com a Presidente Vargas, passa pela Cidade Nova, Vila Aparecida, Jardim Brasilândia, Jardim Paulistano e finda na porteira do Jardim Panorama. Com a experiência adquirida ao longo de anos e anos socorrendo vítimas na perigosa via, o subtenente Victor não tem dúvidas em apontar as causas de tantos acidentes. “É uma via larga, de duas pistas, bem sinalizada e de boa visão. O que acontece é que o volume de tráfego ali é bastante grande e, infelizmente, os motoristas acabam não respeitando o seu e o direito dos outros. Muitos perdem a noção do perigo. Para mim, a principal e única solução é que os condutores se conscientizem que o veículo é um meio de locomoção para facilitar a vida deles e, não, um meio de morte”.

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