A Câmara Municipal votará, na sessão de hoje, a implantação da meia-entrada para praticamente a cidade toda. O projeto, de autoria do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), prevê que todos os trabalhadores que exerçam atividades constantes na CBO (Código Brasileiro de Ocupações) tenham direito à meia-entrada em sessões de cinema, peças de teatro, shows e eventos esportivos. Isso representa um universo de 120 mil pessoas. Atualmente, 88 mil, entre estudantes e professores, têm direito ao desconto.
Na teoria, as pessoas passariam a pagar mais barato para se divertir em qualquer evento da cidade. Na prática, os estudantes devem perder a meia-entrada e todo mundo acabará pagando o mesmo preço pelo ingresso. A oposição na Câmara Municipal é contrária ao projeto que Gilson Pelizaro (PT) define como “uma grande armadilha”. “Vão ferrar todos os estudantes, que têm direito adquirido por lei, com um desconto imaginário. Somente os promotores de eventos vão ganhar com essa iniciativa”, disse o vereador.
Para o governista Marcelo Valim (PSDB), a iniciativa do prefeito é válida. Ele acredita que há como evitar abusos nos preços dos eventos. “É possível controlar essa situação com a fiscalização da própria Prefeitura. É um benefício para as pessoas. É curioso o Gilson criticar. Ele mesmo já havia dito que iria apresentar um projeto semelhante”, disse o tucano.
Diferenças entre tucanos e petistas à parte, o fato é que Franca possui uma gama imensa de pessoas com direito a descontos, o que inviabiliza a realização de grandes espetáculos em Franca. Em matéria publicada no dia 16 de agosto de 2007, o Comércio fez um levantamento indicando que 180 mil pessoas não pagam nada ou entram com 50% de desconto nos eventos da cidade.
Esta realidade, que tem deixado Franca de fora do circuito dos grandes shows, foi criada pelos próprios vereadores. São seis leis em vigor e outras duas em tramitação que garantem gratuidade a 90 mil e abatimento de 50% a outros 88 mil. A idéia do prefeito pode ser uma solução para este problema, mas, até que ela seja aprovada, ainda vai gerar muita polêmica.
OUTROS PROJETOS
Na sessão desta quarta-feira, ainda estará em discussão o veto do prefeito à prorrogação do prazo para que os aposentados residentes em Franca peçam isenção do IPTU (Imposto Predial Territorial e Urbano) no setor de tributação da Prefeitura.
Outra votação relevante diz respeito à doação de uma área para a Associação Caminhar no Jardim Piratininga. A entidade, que atualmente funciona em um imóvel alugado, atende vítimas de paralisia cerebral de todas as idades. Na mesma discussão, o eventual aumento no número de vereadores para a próxima legislatura também será debatido.
No mais, os vereadores darão nomes a ruas e votarão simbolicamente a cessão do título de cidadão francano ao delegado-titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Wanir José da Silveira.
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