Caldeirão do diabo mundial


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Os EUA têm quatro problemas simultâneos: uma crise financeira (que se revelou com a quebra do chamado crédito “subprime”), uma crise do dólar (que está se desvalorizando continuamente), uma crise nas contas externas e um problema com inflação. O FED (o Banco Central americano) decidiu reduzir os juros. Ao fazê-lo, ajuda a combater a crise do crédito e das contas externas. O dólar mais barato facilita as exportações e dificulta as importações. Por outro lado, abre espaço para um aumento da inflação, porque dólar desvalorizado significa aumento (em dólares) nos preços dos produtos importados. Além disso, ao reduzir os juros, há um estímulo para investimentos especulativos em algumas commodities (como o petróleo), pressionando adicionalmente a inflação. Mas não se fica nisso. À medida que o dólar se desvaloriza, aumenta o risco de um efeito-manada - uma fuga de recursos em direção a moedas mais estáveis. Para impedir a queda do dólar, os Bancos Centrais de diversos países (UE, China, Brasil) adquirem cada vez mais dólares e aplicam em títulos do Tesouro americano. Para fazer isso, emitem títulos do próprio país para, com os recursos, adquirirem os dólares. Quanto mais o dólar cai, maior é o custo de carregar essas reservas, já que elas se desvalorizam (porque aplicadas em dólares) em relação aos títulos de cada país. Chega uma hora que esse custo se torna proibitivo. Não parou o jogo. Quando o dólar se desvaloriza, muda o panorama do comércio mundial. Os EUA passam a buscar fatia maior do comércio, exportando mais e importando menos. Como o bolo é um só, alguém pagará a conta. A conta será paga pelos países que estão mantendo suas moedas valorizadas. Segundo o FMI: UE, Brasil e Canadá. A China já avisou que não abre mão das exportações. Tanto que, necessitando conter seu crescimento, em vez de aumentar os juros (o que poderia valorizar a sua moeda) preferiu proibir os bancos de aumentarem os empréstimos. Ou seja, dois leões à solta no mundo. Uma das operações mais utilizadas pelos chamados “hedge funds” (fundos que fazem grandes aplicações especulativas) consiste em tomar recursos em países com juros mais baixos para aplicar em países que pagam juros mais altos (como o Brasil). Só que a aceleração da queda do dólar poderá deixá-los em uma sinuca: os juros recebidos não serão suficientes para compensar a perda de valor do dólar. Pensa que o jogo acabou? Ainda não. Nesse momento, países da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) estão analisando a possibilidade de diversificarem suas aplicações, saindo do dólar. Aí entram as implicações geopolíticas. As alianças políticas (Arábia Saudita com EUA) passam a falar mais alto do que as questões financeiras. E há vários pontos de tensão política no mundo. Em suma, a economia mundial entrou em um processo de disfuncionalidade flagrante, fruto da extraordinária liberalidade com que foram tratados os grandes fluxos especulativos de capital. TRIBUTOS A Receita Federal bateu novo recorde e arrecadou em outubro R$ 54,7 bilhões em impostos e contribuições, alta de 12% em relação a outubro de 2006, se descontada a inflação. Na comparação com o mês de setembro, foi registrada elevação de 12,66%. No ano, entre janeiro e outubro, o total de impostos e contribuições arrecadados pela Receita atingiu R$ 484,7 bilhões, um crescimento real de 10,1% se comparado ao mesmo período do ano passado. Com a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a Receita Federal arrecadou, no ano, R$ 30 bilhões, alta de 10% sobre o mesmo período de 2006. Segundo o relatório, contribuíram para a elevação no mês o Imposto de Renda da Pessoa Física, com elevação em 120%. O documento explica que o aumento se deve ao fato deste ano ter havido a ampliação do parcelamento de seis para oito meses do imposto a pagar. Com isso, em outubro houve o pagamento da sétima cota, o que não acontecia até o ano passado. Também cresceu a arrecadação do Imposto de Importação, cujo recolhimento aumentou 39,16%, em conseqüência, especialmente, da elevação de 41% no valor em dólar das importações tributadas. A arrecadação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre o fumo também cresceu, provocada pela elevação em 30% da alíquota. COMPRA DE NATAL Com o aumento na oferta de crédito, os consumidores de renda mais baixa devem usar o parcelamento para facilitar o acesso aos bens de consumo, especialmente aos de maior valor. Segundo pesquisa do Provar (Programa de Administração do Varejo), da FIA (Fundação Instituto de Administração), 72,5% devem parcelar suas compras, principalmente as realizadas no Natal e no Dia das Mães. Nesse cenário, 54,2% das pessoas estão comprometidas com mais de uma linha de crédito em andamento. Dessa forma, a principal reivindicação de 38,6% dos consumidores é a redução no valor dos juros cobrados pelo varejo. O estudo aponta ainda que a maioria dos consumidores (60,29%) costuma ir ao supermercado nos fins de semana. Para 57,35% dos entrevistados, o sábado e domingo são dias preferidos para realizar compras de vestuário. Os shoppings são visitados semanalmente por 53,4% dos entrevistados. Quando o motivo da visita aos shoppings é a realização de compras o gasto médio apurado é de R$ 207,21.

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