Um programa. Muitas mudanças. Mais saúde


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O casal Miriam Gonçalves e Carlos Maurício, que mora em um sítio em Patrocínio Paulista, recebe a visita da equipe de saúde do PSF Rural, formada pela agente comunitária Carolina Reis (de chapéu), pela enfe
O casal Miriam Gonçalves e Carlos Maurício, que mora em um sítio em Patrocínio Paulista, recebe a visita da equipe de saúde do PSF Rural, formada pela agente comunitária Carolina Reis (de chapéu), pela enfe
No último dia 17 de setembro nasceu, em Claraval (MG), Luís Felipe Souza. Parte do nome do garoto foi escolhida pela mãe, Rita Helena de Souza, 33, para homenagear Edna Aparecida Felipe, 37, que acompanhou os últimos seis meses de gestação. Edna mora em Franca e viaja todos os dias para Claraval para trabalhar como agente comunitária do PSF (Programa de Saúde da Família). O programa foi implantado em 1994 pelo Ministério da Saúde com a proposta de fortalecer a medicina preventiva e reduzir o fluxo nos hospitais. A idéia é levar o médico até o paciente antes de ele adoecer. Passados 13 anos, o programa está presente em 5.106 municípios do País. Na região, chegou em 2000 e hoje atende mais de 97 mil pessoas em 14 cidades. Em Claraval, cidade de Rita Helena, dos 4.323 moradores, 3.104 estão cadastrados no programa. O trabalho do PSF é feito por equipes formadas por agentes de saúde, enfermeiras, auxiliares de enfermagem, médico e, em alguns municípios, até dentistas. Os profissionais são responsáveis por orientar a população na prevenção de doenças. Na prática, as filas dos hospitais e postos de saúde acabam trocadas por visitas domiciliares. Em 13 anos de programa, o resultado na região é positivo. Um estudo divulgado recentemente pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo revelou que os casos de mortalidade infantil na regional de Franca caíram e já são os menores da história. As visitas das agentes tiveram uma contribuição fundamental na queda. Já que o acompanhamento mais próximo passa segurança às gestantes. Rita Helena que o diga. “A Edna me visitava até no trabalho”. O vínculo que se criou entre a dona de casa Rita e a agente de saúde não é isolado. Basta acompanhar uma dia de visitas das agentes comunitárias para perceber a diferença que elas fazem na vida de quem as recebe. A dona de casa Maria Aparecida Vieira, 84, de Itirapuã, é prova disso. Ela passa boa parte do dia deitada na cama por causa de uma inflamação nas pernas. Nos últimos meses, Maria andava muito triste e quase não conversava. Há dois meses, passou a ser visitada pela agente Taís Cristina Pereira, 19. O comportamento mudou. Maria Aparecida senta na cama para conversar com Taís e nem se aborrece com as perguntas da agente. Pelo contrário, responde tudo sorrindo. “O astral da minha mãe melhorou muito. Ela agora conversa bastante. A inflamação da perna até diminuiu com o acompanhamento que está tendo. A chegada do PSF em Itirapuã foi a melhor coisa que poderia acontecer”, disse Maria Vieira Imada, filha da aposentada. Apesar de fazer tanta diferença no estado de saúde de Maria Aparecida, os moradores de Itirapuã só começaram a contar com o programa em setembro deste ano. “Tivemos muita dificuldade para montar o PSF porque não conseguíamos contratar médicos. A maioria queria trabalhar meio período e nós precisamos de dedicação integral”, disse o secretário de Saúde de Itirapuã, Daniel de Faria. As agentes comunitárias também encontraram dificuldades para cadastrar a população. “Enfrentamos rejeição por parte de algumas pessoas que preferem ir direto ao posto”, lembra a enfermeira responsável pela Unidade I do PSF, Fernanda Manuela Faleiros, 24. Com paciência e muita conversa, o problema foi superado. Dos 5.614 habitantes, 4.530 estão na lista do Saúde da Família. [FOTO2] A vizinha Patrocínio Paulista foi um exemplo para Itirapuã. Patrocínio é a cidade com o maior índice de abrangência. São cinco equipes, sendo que uma delas atende apenas a zona rural, para os 12.183 moradores. Destes, 11.532 mil estão cadastrados no programa. O coordenador do PSF em Patrocínio, Geter Simões, se orgulha. “Na nossa cidade todas as famílias cadastradas são visitadas pelas agentes pelo menos uma vez ao mês”, garante. As agentes fazem, em média, 140 visitas mensais. A dona de casa Miriam Gonçalves, 48, é uma das visitadas. Ela mora na zona rural de Patrocínio e todo mês se prepara para esperar as visitas. “No dia agendado, não marco nenhum compromisso”. Ela aguarda a chegada das agentes de saúde no portão. Toda sorridente já avisa. “Hoje fiz frango para esperar vocês”. Enquanto a enfermeira mede a pressão, a dona de casa conta as novidades. É também de Patrocínio que vem outro exemplo das mudanças que o programa é capaz de provocar na vida de seus atendidos. Filomena Graciosa tem 105 anos. É a moradora mais velha da cidade. Pela idade, o mais comum seria que ela fizesse visitas freqüentes ao hospital. Não é o que acontece. Há um ano, ela não é internada. A rotina mudou desde que ela passou a receber visitas diárias da agente Cleuna de Fátima da Silva, 27. Para a médica de família e secretária de Saúde de Patrocínio, Regina de Freitas Lopes, se Filomena não recebesse a atenção diária de uma agente, talvez passasse dias internada. Regina é uma apaixonada pelo Saúde da Família e até se emociona ao falar do programa. “O médico de família olha o paciente com outros olhos. Cria-se um vínculo muito forte entre os dois. O PSF veio para revolucionar a saúde básica”. Para visitar Filomena, a médica anda dois quarteirões. Enquanto isso conversa com a agente comunitária sobre o estado de saúde da paciente. Ao chegar ao portão, nem bate. Entra sem cerimônias e grita pelo nome da dona da casa. Ao se encontrarem, o sorriso é inevitável. “Elas são minhas grandes amigas. Fico feliz quando elas me visitam”, disse Filomena, que dá gargalhadas com as brincadeiras da médica. Em Franca, funcionam cinco unidades do PSF. Juntas, elas atendem pouco mais de 18 mil pessoas. O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, disse que não tem previsão de montar novas unidades na cidade. “Temos o modelo de atendimento básico de saúde que é prestado pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e por isso não há necessidade de implantar mais PSFs. Montamos o programa nos cinco bairros mais distantes”, disse o secretário, que afirmou ainda que manter um PSF custa caro. “Cada unidade custa R$ 15 mil. O Ministério da Saúde manda R$ 5.500 e o restante é da Prefeitura”.

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