Uma árvore arrancada, manchas de sangue na parede, massa encefálica por toda a calçada. Um carro destruído. Dois corpos desfigurados presos nas ferragens. O cenário dá a exata dimensão de um acidente ocorrido domingo de madrugada na Avenida Brasil, altura do Jardim Paulistano, zona leste de Franca. O sapateiro Robson Luiz Cândido, 25, o “Robinho”, e sua namorada, Amanda Alves de Oliveira, 20, dona de casa, foram as vítimas do desastre. Aparentemente eles andavam de carro pela cidade sem destino certo e em alta velocidade. O velocímetro travou em 180 km/h. A polícia afirma ter encontrado latas de cerveja e drogas no Kadett chumbo.
Eram 4 horas quando moradores do bairro ouviram um forte estrondo e saíram de suas casas para ver o que tinha acontecido. No cruzamento da Avenida Brasil com a Rua Severo Braga, próximo à porteira, avistaram um monte de ferros retorcidos sobre a calçada. Foi o que restou do carro.
Antes de parar, o Kadett partiu ao meio uma árvore com a espessura de um poste, continuou desgovernado sobre a calçada e passou espremido entre outra árvore ainda mais grossa e uma parede. “A árvore empurrou o motorista para a traseira do veículo. A menina ficou com a cabeça para fora. Num trajeto de aproximadamente 30 metros, ela veio ralando seu rosto no muro e no chão. Sua face ficou completamente desfigurada”, contou o sargento Bonisenha, do Corpo de Bombeiros. Por causa dos machucados, Amanda teve que ser velada com caixão lacrado.
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Chocantes até mesmo para os policiais acostumados a lidar com mortes violentas, a imagem dos corpos desfigurados assustou populares que se aglomeraram no local para acompanhar os trabalhos de resgate. Só de olhar o carro destruído, familiares das vítimas entraram em desespero e tiveram de ser contidos. “Meu Deus, que tragédia. Não é meu filho que está ali. Não é possível que ele morreu deste jeito. Como isto foi acontecer?”, tentava entender Luiz Marcos Cândido, pai de Robinho.
Policiais militares disseram ter visto o carro pouco antes do acidente passando em alta velocidade pelas Avenidas Adhemar de Barros e Brasil. “Logo depois, localizamos o carro já destruído.
Acredito que ele tenha perdido o controle ao passar por uma saliência da pista, que já provocou outros acidentes”, contou o soldado Nilson. O PM afirmou que o Kadett não era perseguido por viaturas como acredita a família. “Infelizmente, o álcool e a influência das drogas causaram a morte de dois jovens. No porta-luvas do veículo, localizamos duas pedras de crack. Duas latas de cerveja pela metade ficaram caídas para trás.”
Familiares ficaram assombrados com as mortes e disseram não acreditar que Robson fumasse crack. “Acho que ele tentou fugir porque os documentos estavam atrasados. Tenho certeza absoluta de que a polícia estava perseguindo o carro. Temos testemunhas que viram”, disse um irmão da vítima.
O acidente despertou a atenção de curiosos. Durante todo o domingo, dezenas de pessoas passaram pelo local para ver os estragos. No fim da tarde, era possível encontrar restos mortais misturados a galhos e peças do carro.
As vítimas do desastre foram sepultadas ontem no Cemitério Santo Agostinho, com trabalhos da Funerária Tedesco. O casal deixou uma filha de 3 anos.
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