Privatização e falácias


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Quem não se lembra, durante o segundo turno das eleições de 2006, a campanha do Lula investe contra Geraldo Alckmin, acusando o PSDB de ter realizado privatizações desonestas. A estratégia deu certo, o marqueteiro do Alckmin fugiu do tema, afundando de vez a campanha. Oras bolas! Se o Lula tivesse qualquer suspeita de que alguma privatização foi fraudulenta, teria por dever de ofício apurar e desfazer o malfeito. Porém, dias atrás, o governo Lula privatizou 2,6 km de rodovias federais, dando às empresas o direito de instalar 36 postos de pedágio na Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, e a Régis Bittencourt, São Paulo-Curitiba, entre outras. Pois é, Lula abandonou mais uma de suas falácias de campanha, “Privatizar é ruim”, eis que o porco Garganta foi flagrado escrevendo “exceto quando feito pelos companheiros” como adendo àquele mandamento. Somente o burro Benjamin e eu vimos. Eduardo Graeff, cientista político e secretário-geral do governo FHC, escreveu na imprensa paulista um artigo desmascarando a falácia da privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Aguardei mais de um mês, como ninguém rebateu, credito como verdadeira a fonte de informações. A Vale foi privatizada e o que aconteceu? Virou uma história de recordes. Recebeu investimentos de US$ 44,6 bilhões nos últimos seis anos contra US$ 24 bilhões nos 54 anos anteriores. A produção é de 300 milhões de toneladas de minério neste ano, contra média anual de 35 milhões. Emprega 56 mil pessoas diretamente, contra 11 mil há dez anos. Exportou quase US$ 10 bilhões em 2006 contra US$ 3 bilhões em 1997, isso representa mais de um quarto do saldo da balança comercial. Os que são contra a privatização cometem uma fraude grosseira, nas palavras de Graeff, pois comparam os US$ 3 bilhões pelos quais a União vendeu 42% de suas ações ordinárias da Vale em 1997 com os US$ 50 bilhões que a Vale inteira valeria hoje. Se era um negocião, porque não apareceram mais interessados? Por que os lances não foram maiores? Afinal, quem são os donos da Vale? O fundo de pensão dos funcionários e aposentados do Banco do Brasil e o BNDES têm dois terços do capital, depois vem o Bradesco, a japonesa Mitsui e mais de 500 mil brasileiros que aplicaram parte do FGTS nas ações. Assim como a Vale, as empresas privatizadas, apresentam um desempenho muito melhor, beneficiando não só os seus compradores, mas também seus empregados e o próprio País. No caso das estradas, os sete trechos receberam de janeiro a agosto do governo federal R$ 10 mil; agora, privatizadas, nos próximos 25 anos, receberão investimentos estimados em R$ 20 bilhões, incluindo instalação e manutenção de asfalto, duplicação de alguns trechos, construção de trevos e passarelas. Diante do caos existente, deveriam ser leiloados os portos e aeroportos. E, prevendo o novo apagão elétrico para 2010, ainda dá tempo de transformar as usinas de álcool em usinas termelétricas de bagaço e palha. MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.

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