Em um ano, a região “perdeu” a matricula de 3.376 alunos na rede pública de ensino, tanto municipais quanto estaduais. Os dados, ainda preliminares, são do Censo Escolar 2007, realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) órgão vinculado ao MEC (Ministério da Educação). Do número de matrículas fantasmas em relação a 2006, 57,61% são de Franca.
Ao todo, foram registradas 86038 matrículas em dez cidades da região, contra 82931 em 2007. A variação, negativa, é de 4%. Parte desta diferença é atribuída a um suposto “inchaço” dos dados fornecidos em 2006. O Inep avalia que Estados e municípios podem ter errado ao preencher as planilhas com as informações sobre alunos.
Em Franca, foram 59063 matriculas em 2007 ante 61008 em 2006, uma variação negativa de 1945 alunos. Como as verbas repassadas para as escolas variam em face do número estudantes, a cidade pode perder recursos de aproximadamente R$ 600 mil no ano que vem. Foram consideradas apenas as matrículas realizadas no ensino infantil, fundamental e médio, não levando em consideração os dados da (Educação de Jovens e Adultos e da educação especial. A única cidade pesquisada a não ter saldo negativo é Restinga.
A secretária de Educação de Franca, Leila Haddad, diz que os números não refletem a realidade da rede municipal de ensino. “Não somos nós. Nas nossas escolas, não houve queda. Muito pelo contrário, nós crescemos em número de alunos”. De acordo com a secretária, a movimentação é grande por causa da evasão escolar. Leila aponta que o número de matrículas na rede municipal passou de 15023 em 2006 para 16275 em 2007.
A dirigente regional de Ensino, Ivani Marchesi, responsável pelas escolas estaduais da região, e o secretário de Educação de Restinga, Jorge Eurípedes, não foram encontrados para comentar os dados. A Diretoria de Ensino alegou que Ivani estava em reunião.
INFORMATIZAÇÃO
Até o ano passado, as escolas forneciam as informações, preenchidas à mão, às Secretarias Estaduais de Educação. Estas eram responsáveis pelo repasse ao ministério. Este ano, pela primeira vez, o MEC colocou em prática, oficialmente, o Educacenso, um sistema on-line de preenchimento.
Agora, cada escola preenche pela internet as informações solicitadas e repassa diretamente ao ministério. A planilha solicita informações como nome, série, data de nascimento, nome dos pais, endereço e número do documento do aluno matriculado, o que diminui as chances de erro ou mesmo fraude.
Em todo o País, houve uma queda de 2,9 milhões de matrículas. Mas o Inep espera que ainda devam ser computado pelo menos um milhão de novas matrículas. “Uma queda de 800 mil matrículas seria explicada por fatores demográficos e outros. Uma queda superior a 800 mil pode ser um indicador de que o censo tinha problemas anteriores”, disse Reynaldo Fernandes, presidente do instituto.
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