“Mesmo que voltem as costas/As minhas palavras de fogo/ Não pararei de gritar (...)/ Senhores/ Eu fui enviado ao mundo/ Para protestar”. Os versos de “Protesto”, que o poeta francano Carlos de Assumpção, 80 anos, membro da AFL (Academia Francana de Letras), escreveu na década de 50 é uma obra-prima que lhe rende (justas) homenagens até hoje.
O Neab (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros) da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) promove, hoje de manhã, um café literário em homenagem a Assumpção. O evento faz parte da programação da 5ª Semana da Consciência Negra, que vai até o dia 23.
Ana Paula Pereira Gomes, 26, mestranda pesquisadora do Núcleo e uma das organizadoras da Semana, explicou que o Neab promove discussões sobre a participação da população negra na sociedade brasileira, principalmente da cultura negra. “Um dos maiores problemas é a invisibilidade das realizações da sociedade negra, não existe reconhecimento da literatura negra e nem das políticas do movimento”.
De acordo com Ana, Carlos de Assumpção foi convidado justamente por ter desempenhado um papel importante em seus textos sobre a relação da população negra com a sociedade em geral. “Nós consideramos que a composição dele não é só uma poesia de muita qualidade, mas uma contribuição para a cultura negra e para a cultura brasileira em geral”.
O professor e escritor membro da AFL, Luiz Cruz e a professora de dança do Grupo Veredas, Lucinéia Sartori, acompanharão Assumpção e sua mu-lher, Lourdes Augusta do Nascimento, até São Carlos.
Cruz recitará algumas poesias do poeta. “É um motivo de orgulho para todos nós de Franca ver sua obra mais uma vez reconhecida fora da cidade. Estou orgulhoso de tê-lo como amigo e poeta da minha terra”, disse Cruz.
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