Dos pacientes atendidos pela Fundação Allan Kardec, 120 se tornaram moradores da instituição. São pessoas que perderam os vínculos familiares e, abandonadas, não podem ser deixadas nas ruas.
João Batista de Souza, de 49 anos, é um dos residentes da instituição. De Ribeirão Preto e portador de esquizofrenia, vive no local há mais de 20 anos. Joãozinho, como é chamado pelos funcionários e outros pacientes, é um dos colaboradores da equipe de profissionais. “Eu ajudo a empurrar os carrinhos, busco papéis, ajudo os funcionários. Gosto muito de viver aqui e quero continuar”, disse ele.
Com 62 anos, Maria Dolores Carvalho é outra usuária que vive no Allan Kardec. Esquizofrênica, chegou há 30 anos. De vez em quando, recebe visita de uma sobrinha. Dolores participa das oficinas de artesanato, horta e faz fisioterapia.
O dia-a-dia dos moradores é preenchido com outras atividades. Como os pacientes que só passam o dia na casa, os moradores participam de oficinas de marcenaria, artesanato, horta e jogos esportivos. Há também passeios que buscam elevar a auto-estima e ressocializar os pacientes do hospital. “Toda semana, fazemos passeios ao shopping. Quando cheguei, havia pessoas que não sabiam nem segurar o talher e hoje conseguem participar e bem dos passeios”, disse a assistente social Lázara Batista, coordenadora do projeto terapêutico da instituição.
Os produtos confeccionados nas oficinas de artesanato e marcenaria são vendidos num bazar e o dinheiro usado para pagar os materiais e repassado para os pacientes gastarem nos passeios que fazem. “Eles querem satisfazer seus desejos. Um dia, uma moradora quis um pijama novo e pôde usar seu dinheiro para comprar. Isso é muito importante para eles”.
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