um governo, nove escândalos


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Durante a última semana, o engenheiro e ex-presidente da Emdef Alexandre Godói funcionário público concursado há 12 anos, pediu demissão. Ele é investigado pelo MP sob suspeita de fazer “bicos” dentro da empresa. O absurdo dessa situação é a suspeita de que ele prestava serviços e elaborava projetos para obras que seriam fiscalizadas por ele mesmo. Não foi o único a cometer desmandos no alto escalão, que é escolhido diretamente pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Envolvimento em escândalos de corrupção, fraudes e nepotismo (leia mais abaixo) foram as causas da saída de ao menos nove integrantes da alta cúpula tucana. O caso mais emblemático é do ex-secretário de Planejamento Wilson Teixeira, alvo de acusações do MP, como fraude em licitação pública, e suspeita de crimes, como formação de quadrilha. Além disso, pesam contra ele outros três inquéritos, todos relacionados à prática de improbidade administrativa (leia mais abaixo). Até agora, Teixeira só recebeu uma suspensão e segue trabalhando na Prefeitura. Na mesma linha está o ex-liquidante do Dinfra, João Carlos Furlan. Contratado para extinguir a empresa, tinha várias regalias. Trabalhava entre três e quatro dias na semana e recebia salário de R$ 9 mil. Não satisfeito, resolveu ajudar os amigos. Contratou, no processo de liquidação, empresas “parceiras” suas, com documentação irregular. A trama foi descoberta. Acabou demitido. O desgaste excessivo de imagem também já fez baixas na administração. Foi o caso do ex-presidente da Emdef, Vanderlei Cintra. Com a cidade infestada de buracos, no início da gestão de Rocha, Cintra decidiu esconder toneladas de massa asfáltica dentro da Emdef. O Comércio descobriu o fato e denunciou. A repercussão pública foi imediata. Publicamente, Rocha minimizou o caso. Internamente, pressionou Cintra, que pediu exoneração no primeiro semestre de 2005. Para o especialista em administração pública da Unesp de Araraquara Álvaro Guedes, Sidnei Rocha não pode ser penalizado pelas falcatruas de seus escolhidos. De acordo com ele, na hora de indicar e nomear os membros do primeiro escalão, Rocha pode ter comprado “gato por lebre”. “Na hora das indicações há muitos fatores externos que influenciam e, muitas vezes, a pessoa nomeada não tem a qualificação ou a seriedade que parece. Mas o importante é que o prefeito, quando constatar irregularidades, não as releve”, disse. Procurado por em ao menos três oportunidades durante a semana para comentar o caso, o prefeito Sidnei Rocha não res-pondeu às ligações da reportagem.

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