Maria Inês e ‘coronel’ David: nepotismo forçou demissões


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Se as falhas e corrupção levaram a muitas exonerações, houve pessoas competentes que também tiveram que sair da administração por outros motivos. É o caso da ex-secretária de Ação Social Maria Inês Archetti. Mulher do vice-prefeito Ary Pedro Balieiro (PTB), foi forçada a pedir demissão após a criação de uma lei antinepotismo na Câmara pelo vereador Valter Gomes (PSB). Em um ano e sete meses à frente da pasta, Maria Inês conseguiu conquistas relevantes, como a revitalização dos Cras (Centros de Referência de Assistência Social) e a organização e ampliação dos cadastros de pessoas assistidas por programas sociais. Sua saída foi sentida até mesmo pelo prefeito Sidnei Rocha, que considerou o episódio “uma grande perda para a cidade”. Maria Inês, que à época disse que “se sentia na inquisição, queimada como uma bruxa”, foi substituída pelo advogado Roberto Nunes Rocha, que permanece no cargo. A legislação de Gomes atingiu, também, outro membro do alto escalão, o ex-chefe da Divisão de Saúde Batista David Neto. Ironicamente, “coronel David” teve de ser demitido por ser irmão de uma outra vereadora, Graciela David Ambrósio, e deixou o cargo sem protestar. Cássia Prado Silva, filha do presidente da Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura), Reginaldo Emídio da Silva, e Taís Helena do Nascimento, sobrinha do vereador Luiz Carlos Fernandes (PDT), que exerciam cargos menos relevantes, também foram dispensadas. De acordo com Valter Gomes, a criação do projeto foi com o foco em “moralizar o serviço público”. Um de seus objetivos seria evitar o emprego de parentes, principalmente de vereadores, como moeda de troca na administração. “Não foi feito por causa de uma pessoa ou outra, mas pela causa da moralidade”, disse Gomes.

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