A jovem Jaqueline Cristiane Prado, 20, se prepara para trazer ao mundo mais uma criança. A chegada do bebê é aguardada com muita expectativa. Além de ser a segunda filha dela e de Paulo Prado, 24, a menina que está prestes a nascer pode salvar a irmã de apenas três anos. A pequena Maria (nome trocado a pedido dos pais) tem leucemia, está em tratamento e precisa de um transplante de medula, o qual poderá ser feito com as células tronco do cordão umbilical do bebê.
O nascimento deve ocorrer nesta segunda-feira, 19. Jaqueline tem consulta marcada no Hospital Regional e, dependendo das circunstâncias, passará por cesariana nesta data. Após o parto, médicos do próprio hospital, que já são treinados, farão a coleta e o armazenamento das células tronco, que serão guardadas no Instituto Hermes Pardini em Belo Horizonte (MG).
Em Franca, a retirada desse tipo de material é realizada pelo Hospital Regional e o casal terá de pagar pelo procedimento. Os gastos com internação, cesárea, coleta e armazenamento das células somam R$ 5310. Jaqueline e Paulo não têm condições de pagar. Os pais pedem ajuda para salvar a pequena Maria.
A mãe é dona de casa e o pai ganha um salário de R$ 800 trabalhando como açougueiro. “Estamos confiantes. Tenho muita fé em Deus de que vai dar certo e as minhas filhas serão compatíveis uma com a outra. Não podemos esperar e temos de pagar pela coleta, mas dependemos de colaboração”, disse Paulo.
A descoberta de que Maria tinha leucemia ocorreu há apenas um mês. A criança estava com crises de bronquite e, ao passar pelo hospital, fez uma série de exames. Os de sangue apresentaram resultados alterados. Depois de refeitos, ficou constatado o câncer. Internada na Santa Casa desde 29 de outubro, a paciente está fazendo quimioterapia.
A indicação para coletar células do cordão umbilical do bebê foi feita pelo médico oncologista Reynaldo José Sant’Anna, do Hospital do Câncer de Franca. “É rotina encaminharmos para a coleta de células do cordão pacientes com leucemia cuja mãe está grávida”.
O procedimento é feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde), inclusive em Franca, mas neste caso, o material só é armazenado se houver compatibilidade entre os familiares, se não, é encaminhado para o banco nacional e, se precisar, a família não tem mais direito de usar as células. Esse foi um dos motivos que incentivaram os pais de Maria a optarem pela rede particular. “Se um dia a nenê precisar das células dela, teremos como usar.
Também ficamos com receio de não dar tempo de organizar tudo no SUS. Fiquei sabendo que poderia coletar as células do cordão quando já estava com oito meses de gravidez”, disse a mãe.
A leucemia pode ser curada com quimioterapia, mas no caso de Maria a resposta ao tratamento não foi muito boa, por isso o transplante foi indicado. Segundo Sant’Anna, o tipo de leucemia que atinge Maria é o menos freqüente e corresponde a 30% das ocorrências em crianças.
COMO CONTRIBUIR
Doações podem ser feitas pelo telefone (16) 3722-8649. “As pessoas podem doar qualquer quantia. É só nos ligar e informar endereço para os familiares buscarem o dinheiro. Tenho certeza de que Deus providenciou esse bebê para salvar a irmãzinha. É uma criança de 3 aninhos que precisa de ajuda”, disse Andréa Prado, prima do casal.
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