Os 600 funcionários da Agabê em Franca podem, ao menos por enquanto, respirar aliviados. A empresa, que pretendia demitir parte significativa de seus trabalhadores em Franca até janeiro, voltou atrás na decisão e garantiu que não haverá nenhum corte de pessoal na cidade pelos próximos oito meses.
Um incêndio na unidade de Aracati, no Ceará, foi a causa da mudança. “Depois que a unidade no Ceará pegou fogo, resolvemos voltar atrás no planejamento. Não vamos fazer, em Franca, as dispensas que íamos fazer”, disse Miguel Betarello, principal diretor da Agabê.
Segundo ele, em Aracati eram produzidos 5,5 mil pares de sapatos por dia, todos voltados para o consumo do mercado interno. O incêndio, que causou prejuízos de aproximadamente R$ 2,5 milhões, fez com que a capacidade produtiva daquela unidade caísse para 3,3 mil. “Os 2,2 mil pares restantes terão que voltar para as esteiras de Franca. Com isso, teremos que manter o nível de produção com o mesmo pessoal que temos hoje. A reconstrução do pavilhão novo vai demorar pelo menos oito meses. Nesse período, não vamos dispensar ninguém”, disse Betarello.
Para suportar a demanda, a Agabê deve criar duas novas esteiras de produção. Não serão necessárias novas contratações e o atual quadro de funcionários, que está ocioso, será totalmente aproveitado.
Além dos 2,2 mil pares transferidos de Aracati, a unidade de Franca da Agabê deve continuar produzindo as linhas Betarello e Hugo Boss. São cerca de 1,5 mil pares produzidos diariamente para o mercado externo.
CONFIRMAÇÃO
Betarello confirmou a informação, dada com exclusividade pelo jornal Comércio da Franca, de que um plano de demissão seria colocado em prática pela Agabê na cidade. Dos 600 funcionários, seriam mantidos apenas cerca de 50 das áreas administrativa, de design e de planejamento. “Haveria uma nova empresa, que produziria a linha Betarello e Hugo Boss, com concentração da produção da Agabê no Ceará. Chegamos a negociar com o galpão da Charm, mas não fechamos nenhum acordo e as mudanças não vão mais acontecer”, disse.
Betarello ainda informou que o futuro da unidade de Franca após os oitos meses ainda não está definido, mas que não acredita em demissões de pessoal. “Estamos elaborando um plano para decidir o que fazer com a unidade de Franca. A princípio, voltamos atrás na idéia de abrir uma nova empresa para produzir as linhas Hugo Boss e Betarello, mas ainda estamos pensando na melhor alternativa”, disse.
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