Depois de curtir até altas horas uma balada, o estudante Gustavo de Oliveira Meiva, 22, foi embora com um grupo de amigos. Até aí, nada demais. A parte engraçada da história é que Gustavo foi para o agito dirigindo seu carro, tomou uns goles a mais e esqueceu o veículo ‘plantado’ na porta da festa. “No outro dia, voltei lá para buscá-lo. Ainda bem que ele não foi roubado”.
A história acabou bem, mas nem sempre é assim que acontece. Excessos no consumo, cada vez mais frequentes, podem causar severos problemas de saúde. Rosto vermelho, diminuição do reflexo e euforia são algumas características imediatas. Câncer, impotência e demência, além de problemas cardíacos, podem surgir no longo prazo.
A situação torna-se ainda mais preocupante porque o jovem é, hoje, um público consumidor em expressiva expansão. Embora a legislação só permita a venda de bebidas alcoólicas a maiores de 18 anos, um levantamento realizado pela Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) indica que 16% dos adolescentes com faixa etária entre 14 a 17 anos já beberam algum dia em excesso (mais de cinco doses).
É o caso de Gabriel. Muito tímido, começou a beber aos 15 anos. “Queria me soltar, mas lembro que, muito antes dessa idade, já ‘bicava’ várias vezes o copo do meu pai e dos meus tios. No início, não gostei muito da experiência, mas depois fui me acostumando. Hoje, saio com os amigos para beber uma”, conta. Na turma de 11 ‘marmanjos’, só um não bebe. “Ele é o que cuida dos outros dez”, brinca Gustavo.
ESPECIALISTAS
Para a psicóloga Cláudia Cristina Palamoni, os motivos que podem levar o jovem a se interessar pelo álcool são amplos. “Seja para querer se igualar ao grupo de amigos que também bebe, para fugir de algum problema ou de uma situação que esteja vivendo ou até mesmo por curiosidade”, explica.
Segundo Antonio de Queiroz, professor de química e toxicologista, os riscos no consumo excessivo de álcool são grandes. “O álcool tem a capacidade de atacar diversas partes do corpo ao mesmo tempo. Não é preciso parar de beber, mas o excesso deve ser combatido”, diz.
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