Quando pequenos se parecem com bichinhos de pelúcia. Patinhas fofinhas, dentinhos inofensivos, um gênio difícil, mas muito engraçadinhos. Quando crescem, as belezinhas se transformam em animais robustos, de estopim curto, o que amedronta as pessoas.
Mas esse não é o maior problema. Como foram criados para combates e rinhas, os cães da raça pitbull possuem instinto agressivo e força indiscutível. Só este ano, 11 pessoas foram gravemente feridas por eles em Franca e região. Diante dos ataques, a polêmica em relação à extinção dessa raça volta à tona.
Para a turma que defende os pitbulls, o problema é a falta de adestramento. Eles acreditam que, treinados, os bichinhos se comportariam bem. Mas há uma forte corrente que acredita que a extinção é o caminho. Para estes, essa raça tem instinto assassino, representa um perigo para a comunidade e não há treinamento que resolva. É o caso da pespontadeira Silvanei Gomes. Ela tem pavor dos pitbulls e acha que esses animais tinham que sumir. “Já tive um cachorro muito bravo, mas pitbull nem pensar. Eles são muito violentos. Tinha que acabar com esse animal”. A massoterapeuta Kelly Silva acredita que dependendo do tipo de criação qualquer cão pode vir a atacar o próprio dono, mas não consegue nem se imaginar perto de um pitbull. “Além de ser muito forte, o pitbull é muito bravo. E acho que isso é da raça mesmo”.
O adestrador Adoniran Thomaz, mais conhecido como Dino, garante que não. Para ele os ataques acontecem porque as pessoas não sabem lidar com o animal. “O erro já começa na finalidade de se comprar um pitbull. Esse cachorro é um cão de guarda, não de companhia. Preso, o cachorro ficará louco mesmo e as chances de ataques aumentam”. De acordo com o adestrador, fazer com que o pitbull conviva de perto com as pessoas desde pequeno é fundamental. “Um pitbull precisa se sociabilizar com outros animais e pessoas principalmente nos três primeiros meses de vida para não se tornar um animal arisco demais”.
O vendedor Heverton Alves concorda. Ele tem um pitbull, uma cachorrinha cocker e um gato e disse que os três convivem bem desde filhotes. “Eu sempre fiz questão de deixá-los juntos para se acostumarem. Hoje, o Spike (o pitbull) brinca com eles e não estranha ninguém. É até meio ‘mocorongão’ demais”.
Mas mesmo se bem cuidado e aparentemente dócil, ter em casa um pitbull é sem dúvida assumir um risco, uma vez que ele pode, em situações de estresse ou susto, atacar quem estiver por perto. “Ele pode se sentir ameaçado e em defesa atacar instintivamente sem saber até mesmo se é o dono ou não”, disse o veterinário Marcos Okamura.
Para controlar o número de cães e saber quem são os donos, o vereador Marcelo Valim (PSDB) elaborou uma lei que obriga o registro e a castração dos pitbulls. “Esse cachorro é instável. A medida era necessária”. Para identificar os donos legais do animal as autoridades de Belo Horizonte foram mais longe e obrigaram a implantação de microchips eletrônicos nos cães desta raça. Em Franca, a medida não é obrigatória, mas pode ser feita em pelo menos duas clínicas da cidade por R$ 40. O chip é do tamanho de um grão de arroz e é implantado na pele do animal.
ORIGEM
Estes animais foram criados na Inglaterra no século 19 para participar de combates contra touros e rinhas de cães. É o cruzamento das raças Bull Terrier, Staffordshire Terrier e American Staffordshire, por isso é tão forte e ágil. Para quem quer saber mais sobre a raça, o adestrador Dino realiza dia 23, às 20 horas, na Sociedade Assistencial do Bairro São José, a palestra: “A verdade sobre o cão assassino”. A entrada é um quilo de alimento não perecível. Mais informações ligar para 9972-9217.
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