Agabê prepara forte redução da produção e vai demitir em Franca


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Foto de arquivo mostra a fabricação de calçados da empresa: depois de décadas em Franca, demissões assombram Agabê
Foto de arquivo mostra a fabricação de calçados da empresa: depois de décadas em Franca, demissões assombram Agabê
A Calçados Agabê, uma das mias tradicionais e importantes fábricas de calçado do país, deve iniciar nos próximos dias uma profunda mudança em sua estrutura de produção na cidade. A maior parte dos 600 funcionários deverá ser demitida. Os grandes galpões instalados na avenida Ismael Alonso Y Alonso devem ser desativados. As linhas de produção voltadas ao mercado interno ficarão totalmente concentradas na sua unidade do nordeste, localizada em Aracati, no Ceará. Em Franca, apenas 50 funcionários da admnistração, desenvolvimento e de áreas de apoio devem ser mantidos vinculados à Agabê. As informações foram confirmadas ao Comércio ontem por 6 funcionários diferentes ligados às áreas de produção, desenvolvimento e administração. Durante toda a tarde de ontem, diretores da empresa foram procurados para comentar os fortes rumores que indicam a pa-ralisação das atividades da empresa na cidade, mas ninguém aceitou falar com o Comércio. Apenas no fim da noite uma das diretoras retornou as dezenas de ligações da reportagem, negou que a empresa vá encerrar a produção na cidade, mas admitiu que uma nova fábrica poderá assumir a produção de parte da Agabê. Há algumas semanas os rumores de que a situação financeira da Agabê tinha se agravado vêm dominando as conversas nos corredores da empresa. Os funcionários entrevistados pelo Comércio garantem que as demissões começam logo. O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, disse ontem que des-conhece detalhes sobre os planos da Agabê, mas confirmou que os diretores da empresa solicitaram ao sindicato uma reunião para a próxima semana. A pauta do encontro não foi antecipada. As versões narradas pelos dife-rentes funcionários ao Comércio são bastante similares. A empresa, pressionada pela queda acentuada das exportações nos últimos anos e com o câmbio desfavorável e sem perspectiva de recuperação, estaria hoje com uma estrutura inviável para sua realidade. O alto custo de produção em Franca e a falta de incentivos locais colaborariam para agravar o quadro que já era ruim. “A fábrica teve bons tempos, mas não acompanhou as mudanças do mercado. Fico triste com o fim, pois tenho grandes amigos na Agabê”, disse um dos funcionários, que trabalha na empresa há mais de 20 anos. NOVO RUMO Sem alternativas, a empresa, que chegou a produzir 15 mil pares diários e era a maior empregadora privada da cidade, com mais de 3 mil funcionários, teria optado por uma mudança radical: reduzir a produção em Franca e concentrá-la em apenas duas linhas de calçados, Bettarello e Hugo Boss, cujos mo-delos são vendidos no mercado com alto valor agregado. No lugar dos amplos galpões da marginal Alonso Y Alonso, um prédio menor vai abrigar a produção da nova fábrica, que deve ser criada e gerenciado por um dos diretores da empresa, Marcelo Betarello, com nova razão social. Nesta nova unidade, um grupo de no máximo 400 funcionários, selecionados entre os 600 demitidos, seria responsável por produzir até 1,2 mil pares de calçados por dia. Na nova empresa, políticas salariais e de benefícios hoje existentes na Agabê poderiam ser revistas sem infringir a lei, que proíbe reduções de salário, por exemplo. Segundo os funcionários entrevistados pelo Comércio, e que pediram para manter seus nomes em sigilo para evitar constrangimentos, alguns galpões, como o um que sediou a fábrica Charm, ligada ao grupo Samello, já teriam sido e-xaminados e estariam em negociação para abrigar a nova unidade, que produziria sob encomenda da Agabê. Os enormes galpões que hoje sediam a empresa devem ser vendidos ou alugados. Imobiliárias da cidade já oferecem no mercado, há alguns meses, pelo menos um destes galpões. O superintendente da empresa, Miguel Betarello, foi procurado ontem, por meio de seu telefone celular e na fábrica, mas, visivelmente nervoso, não quis conceder entrevista. Apenas no final da noite uma das diretoras, Maria Betarello, res-ponsável pela área financeira da Agabê, atendeu a reportagem do Comércio. Lacônica, disse que a situação não está completamente definida, mas admitiu mudanças. “Continuaremos a produzir aqui e no Ceará. Meu sobrinho Marcelo quer montar outra fábrica, mas isso não signifca que fecharemos nossa unidade de Franca”, disse. CONSOLO Em relação aos pagamentos de salários e direitos trabalhistas, a situação parece ser diferente da registrada no caso da Samello, gigante do setor que parou as atividades há mais de um ano. “Embora saibamos que vamos ficar parados, ficamos tranqüilos porque os salários estão em dia e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) também”, disse outro empregado da produção, vinculado à Agabê desde 2001.

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