O parto do Estado Novo


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Há 70 anos, no dia 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas dava o golpe conhecido como “Estado Novo” - que lançou o País em uma ditadura feroz até 1945, quando Vargas acabou derrubado. Em janeiro de 1938 haveria eleições, com José Américo de Almeida disputando com o paulista Armando de Salles Oliveira. O álibi para o golpe foi um falsa conspiração comunista, descoberto a partir de um documento apócrifo chamado de Plano Cohen - que, depois, se soube ser de autoria do então Capitão Olímpio Mourão Filho. Estou pesquisando o tema, como parte de meu próximo livro. Em 23 de fevereiro de 1937 Getúlio chegou a Poços com a família a bordo do avião “Rio Grande do Norte”, que decolou de Petrópolis pilotado por Clovis Barcelos, a fim de reunir-se com o governador de Minas, Benedito Valadares para tratar da sucessão presidencial. Pelo menos para os cartomantes e quiromancistas que invadiam a cidade, os astros apontavam turbulências no ar, e indiscutíveis tendências continuístas de Vargas, como pôde testemunhar o jovem repórter dos Associados, Arnon de Mello -pai do futuro presidente Fernando Collor -, que descreveu com detalhes o clima de puxa-saquismo que empurrava Vargas para o golpe. Estava-se em plenos preparativos o movimento que ficou conhecido na História como o “Pacto de Poços de Caldas”, que implantou o Estado Novo. No primeiro dia em Poços Vargas fez seu primeiro passeio pelos arredores da cidade acompanhado da filha Alzira, do prefeito Assis Figueiredo, do Comandante Amaral Peixoto, entre outros. Na volta, Assis insistiu para que Vargas visitasse a Caixa d’Água, onde o aguardava um dos monumentais almoços mineiros do cozinheiro Gijo, com lingüiça, lombinho assado no espeto. Getúlio estava à vontade. Fez blague, falou um pouco sobre a Revolução de 32. Pouco a pouco chegam mais convidados, o governador Valadares, o Ministro Mário Mattos, o Secretário do Interior José Maria Alkimin, o deputado Juscelino Kubitschek. O almoço corria em um clima francamente cordial. O protocolo foi deixado de lado e a toda hora Vargas enfatizava que estava ali como um cidadão em férias. Um crioulo executava músicas de sanfona. Valadares pede-lhe para tocar “Saudade de Ouro Preto”. O almoço quase terminando, na ponta mais animada da mesa alguém lembra que um ocultista, Sana-Khan, deseja ler a mão de Getúlio. Um puxa-saco diz que, segundo a astrologia, Getúlio nasceu para ter uma coroa. No mesmo instante, outro acólito prepara uma coroa rústica de folhagens que vai sendo passada de mãos em mãos até parar em Valadares. Este observa com malícia fina: “Será um presságio? Coroa, época de sucessão...” Valadares passa a coroa para outra mesa. Ela retorna pelas mãos de uma senhorita, que a coloca na cabeça de Vargas. Getúlio estava distraído comendo marmelada e foi surpreendido por uma coroação inesperada. No final do ano, a decretação do Estado Novo traria à tona os resultados daquele que parecia ser um simples almoço mineiro. FURNAS O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou financiamento de R$ 1,034 bilhão para Furnas. Os recursos serão usados para a construção da usina hidrelétrica de Simplício. O valor financiado corresponde a 62% do investimento total, de R$ 1,6 bilhão. A usina é um dos projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Simplício será a segunda maior hidrelétrica do Estado do Rio. Ela terá capacidade de geração de 333,7 MW e será localizada no Rio Paraíba do Sul, na divisa dos municípios de Sapucaia e Três Rios (RJ) e Chiador (MG). As obras ficarão a cargo do consórcio formado pelas construtoras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez. A operação e a manutenção da usina serão feitas por Furnas. Segundo o BNDES, a usina permitirá um acréscimo de 28% na oferta de energia hídrica a partir de 2010 no Estado do Rio, que conta com 10 usinas que representam 1.220 MW. A usina de Simplício será integrada ao Sistema Interligado Nacional e 97% da energia produzida será comercializada por contratos de comercialização de energia no ambiente regulado com um pool formado por 31 distribuidoras. O banco já aprovou nove projetos de construção de usinas hidrelétricas que constam do PAC. Os financiamentos somam R$ 4,2 bilhões e os empreendimentos representam um acréscimo de 2.177 MW. BRASIL E OPEP O secretário-geral da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Abdalla El-Badri, afirmou que o Brasil terá que defender os “mesmos interesses” do cartel, caso decida fazer parte da entidade - como já manifestou o presidente Lula. “Não batemos na porta de nenhum país, mas são bem-vindos se têm os mesmos interesses que nós”, disse. El-Badri também falou que o Brasil não apresentou até agora um pedido oficial para fazer parte da organização. A cotação do barril de petróleo voltou a subir ontem, após a queda acentuada do dia anterior com a previsão de desaceleração no consumo mundial pela AIE (Agência Internacional de Energia). Os temores de diminuição nos estoques americanos (dado que será divulgado hoje) e de que a Opep não aumentará a sua produção assustaram os investidores. Em Nova York, o produto subiu 3,20%, terminando o dia valendo US$ 94,09. Na Bolsa de Londres, a alta foi inferior (2,85%), com o barril cotado a US$ 91,36 no fim do pregão.

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