V er cardumes de lambaris na lagoa de águas cristalinas, nascente do ribeirão Pouso Alegre, percorrer a trilha que o acompanha pela reserva de Mata Atlântica, descobrindo árvores de madeira de lei, orquídeas e bromélias, proporciona uma experiência inesquecível.
Brigar com o vento, ouvir a farfalhada das copas no duelo de galhos e assustar-se com o estalo das carícias entre os bambuzais. Meditar e aprender à sombra da magia do verde, da sinfonia da floresta... E que tal abraçar jacarandás, mognos e bálsamos, entre outras nativas? Gritar: achei olho de cabra, maravilhar-se com a abrus precatorius, nome científico desta espécie, garimpando entre folhas ressequidas as sementes mais lindas que existem, tesouro rubro-negro... levar para casa uma muda de ipê-de-jardim; percorrer canteiros e mais canteiros do viveiro de um milhão de mudas, passar pela estufa de plantas ornamentais, berçário do verde, da harmonia da vida...
Apoiar-se na Caesalphinea-echinata, tocar os espinhos do tronco desta exuberância a que se rendeu a Europa, ávida pelo manto de cor púrpura, símbolo de nobreza. Atravessar passarelas, embrenhar-se pelo bosque do pau-brasil, plantado há oito anos por estudantes. Conhecer o palmito, o túnel verde dos coqueiros ornamentais, caminhar ao lado do minhocário, do bananal, na leitura de milhares de espécies até chegar a uma grande lagoa, antiga estação de piscicultura. Estufar o bolso com peõezinhos dos eucaliptos, fazendo-os rodar no chão de terra batida, visitar o que foi uma formidável e bem cuidada horta.
Mais tarde, aprender sobre irrigação, conversar com homens do campo, adubar a terra sujando as mãos ao encher saquinhos de plástico e ajudar no plantio de semente de alguma espécie que no futuro próximo retribuirá com oxigênio, contribuindo para diminuir a temperatura do planeta, purificando o ar que respiramos. Pedir para plantar uma árvore, voltar com a família a esse paraíso.
Maravilhar-se com as flores, arregalar os olhos ao descobrir-se pesquisador de folhas, tamanhos e formas surpreendentes. Assistir palestra sobre ecologia, falar de Deus, a maior Ecologia que existe e medir a temperatura ambiente em todos os lugares...
Registrar que ali não se queima nada, porque as folhas que caem, ricas em nutrientes, alimentarão suas irmãs... lembrar o Roberto Carlos: ‘as folhas são bilhetes deixados ao vento’, ouvir o canto dos passarinhos, sentir a fragrância verde, respeitar a vida, aprendendo a poesia que o sertanejo canta: ‘quanto ao futuro inseguro, será assim de Norte a Sul, a terra nua, semelhante à lua, o que será deste planeta azul?
Ao adentrar esse lugar aprazível, Éden... não deixe as crianças livres brincando de matança e pique. Livres sim, fazendo a leitura do mundo, interagindo com o meio, ensinando e aprendendo numa manhã que valerá por dias confinados em sala de aula. Pois tudo o que se planta colhe; o tempo retribui o mal que a gente faz.
Ali, felizmente não há animais enjaulados, doentios, de olhares petrificados pedindo socorro. Micos, seriemas, lagartos, garças, capivaras, tucanos, gaviões, o esvoaçar das borboletas e pássaros se mostram na plenitude da vida em liberdade, e se pudessem, certamente a sentença exarada seria: ali vai o homem, o único animal que mata pelo prazer de matar!
A leitura do mundo enriquece o currículo escolar, consolidando o universo cultural do aluno e as escolas comprometidas com a qualidade de ensino devem realizá-la. O educador Paulo Freire ensina: ‘A leitura do mundo precede a leitura da palavra’.
Visite o Jardim Zoobotânico, um dos maiores patrimônios que temos, santuário verde da Fazenda Municipal. É tardia a hora para avaliar as ações em defesa da Mãe Terra, replanejar o presente, criar o futuro, alfabetizar a alma e educar o espírito... Não há saída, só a entrada é franca!
WAGNER DE CAMPOS é professor.
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