Amanhã será um dia decisivo no mercado mundial, último dia de prazo dado pela SEC (a CVM norte-americana) para que as instituições financeiras passem a registrar seus ativos pelo valor de mercado.
A partir das explicações do leitor do Blog (www.luisnassif.com.br), João Carlos Baptista, vamos entender melhor o que está ocorrendo.
Chama-se “derivativo” a uma operação que é derivada de um ativo qualquer. Por exemplo, um banco dá uma quantidade de financiamentos para seus clientes.
Passo 1 - Pega essa carteira de financiamentos e vende para um fundo. Criou um “derivativo” de um ativo existente - contratos de financiamento habitacional.
Passo 2 - O fundo que comprou a carteira divide-a entre financiamentos de baixo risco (‘prime’), e financiamentos de alto risco (“subprime”). E vende cada qual para uma terceira instituição. Com isso criou um ‘derivativo do derivativo’.
Passo 3 - Um terceiro fundo pode adquirir várias carteiras “subprime”, montar um novo fundo e vender novamente. É a terceira fase do derivativo.
Assim como na indústria de fundos brasileira, cada fundo é dividido em cotas com determinado valor, que varia de acordo com o valor dos ativos que constituem o fundo.
Nesse “imbróglio”, de tantos mercados entrelaçados, é que abriu-se caminho para fraudes. Até agora, o mercado de ativos norte-americano era dividido em três níveis:
Nível 1 - O “marked to market”. Aqueles fundos nos quais os ativos têm preços de mercado, alta liquidez (podem ser comprados ou vendidos na hora). Esse não tem problema.
Nível 2 - O “marked do model”. Nesse caso o ativo não possui preço de mercado, mas existem ativos semelhantes que permitem montar um modelo matemático para quantificar o preço do ativo. Só que os cálculos utilizados tomam como referência os lucros obtidos pelas empresas nos últimos anos com a economia crescendo. Se a economia cresce menos, esses valores ficam mais fora da realidade.
Nível 3 - O “marked to fantasy”, a area sensível, onde não existem ativos similares, e o próprio banco acaba “inventando” um preço para o ativo.
Até agora as regras de contabilização dos ativos não eram rígidas. Muitos ativos que eram para ser colocados nos níveis 1 ou 2 acabavam no nível 3, com o preço determinado pelo próprio banco. Se o ativo caísse de valor, o banco continuaria mantendo um preço fantasma, ocultando o rombo.
Não se fica nisso. O banco usa o dinheiro de seu correntista. Com isso, o capital líquido do banco é muitas vezes menor do que o dinheiro movimentado. Por isso mesmo, as regras costumam ser rígidas para obrigar os banqueiros a serem conservadores.
Com a bagunça provocada pela bolha do “subprime”, pelo menos cinco grandes bancos norte-americanos têm mais dinheiro dos clientes no nível 3 do que Patrimônio Líquido (o capital próprio para cobrir o prejuízo).
São eles o Citigroup (105%), Goldman Sachs (185%), Morgan Stanley (251%), Bear Stearns (54%) e Lehman Brothers (159%).
Nessa quinta-feira, todos os bancos terão que acertar sua contabilidade. É aí que se verá o tamanho do estrago.
VERBA DO BNDES
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, afirmou ontem que precisa de mais R$ 25 bilhões para atender a demanda por financiamentos para 2008. O banco já tem garantidos R$ 50 bilhões para 2008. Nos últimos meses, o BNDES acelerou a liberação de recursos para projetos de investimento, com destaque para a área de infra-estrutura e setores como telecomunicações, transporte e energia.
Em um cenário de juros menores do que no passado, o empresariado tem se mostrado mais disposto a investir. De janeiro a outubro deste ano, as consultas de empréstimos ao BNDES cresceram 35,8% e somaram R$ 103,3 bilhões. Coutinho já iniciou negociações com o ministro Guido Mantega (Fazenda) e disse que ele tem se mostrado sensível às necessidades do banco. Nos últimos 12 meses, o BNDES aprovou financiamentos que somam R$ 88,9 bilhões. Coutinho espera chegar a um acordo com o governo até a metade de dezembro. De janeiro a outubro deste ano, o BNDES desembolsou R$ 49,8 bilhões, resultado que é 40% maior do que o de igual período do ano passado. A solução virá de Brasília”, disse o diretor financeiro, Maurício Lemos. Segundo ele, o banco tem alternativas em vista, como a captação de US$ 2 bilhões com organismos multilaterais no exterior e de R$ 2 bilhões em debêntures (títulos de dívida) no mercado interno. O banco cogita ainda se desfazer de parte de sua carteira de ações ou lançar uma nova etapa do PIBB (Papéis Índice Brasil Bovespa), fundo de ações lançado pelo banco para atrair o pequeno investidor.
PEDÁGIO EM SP
A concessionária OHL aumentará o preço de pedágios da SP-225 em 40%, no primeiro trimestre de 2008. Apesar de precisar de aprovação da Artesp, a agência reguladora de São Paulo, o aumento é previsto pela Lei das Concessões, no caso de duplicação da pista. A obra está sendo realizada entre as cidades de Itirapina e Jaú e deve ser concluída até o fim do ano. Mantido o aumento previsto, o preço do pedágio na cidade de Dois Córregos, na pista que vai para Itirapina, deverá passar de R$ 6,60 para R$ 9,24. Já o de Brotas, no sentido Jaú, deve ir de R$ 5,80 para R$ 8,12. A empresa não quis comentar os recursos impetrados por concorrentes derrotada no leilão das federais por desconhecer o teor das reclamações.
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