Elas são descontroladas


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Ela caminhava pelo corredor do shopping quando, de repente, suas pernas ficaram trêmulas, suas mãos começaram a suar, o coração disparou e ela até ouviu sininhos. Foi paixão à primeira vista. Sem pensar, correu em direção à loja e abraçou aquela blusa rosa com estampa prateada chiquérrima que tanto procurava. Até parece brincadeira, mas esta cena acontece, pelo menos, uma vez por semana na vida de mulheres que adoram comprar. Elas são consumistas e não resistem ao charme de uma calça jeans novinha, um óculos de sol galanteador ou perfumes encantadores, jóias e sapatos finos. O valor não interessa. Elas compram mesmo e não conseguem sair de casa sem dinheiro, cartões ou o velho e bom talão de cheques. “É sempre bom andar prevenida. Afinal eu nunca sei quando será a minha próxima compra, né?”, disse a biomédica e estudante de enfermagem Maira Essado Bertoni, 28. Ela é fissurada por roupas e disse que gasta, em média, R$ 500 por mês com o vestuário. “Tem meses que gasto bem menos, outros mais. Eu bato o olho, gosto e não resisto”. Com o guarda-roupas lotado, Maira já apelou para o armário da irmã e da mãe. Sem contar as peças que estão encaixotadas no maleiro. Mas reconhecer o exagero não é problema. Ela, assim como a maioria das consumistas, sabe que compra demais. “Reconheço que compro mais do que preciso e isso não me incomoda. Às vezes, passo aperto e até peço ajuda para o meu pai, mas sem culpa”. O mesmo acontece com a estudante de moda Kênia Libardi. Ela tem em casa cerca de 300 pares de sapato e uma coleção de quase dez óculos de sol, mas prefere não falar quanto gasta nas compras. “Fiz muitas loucuras para comprar meus sapatos. Algumas vezes prefiro nem contar para as pessoas o quanto gasto em uma peça. Elas se assustam”. Kênia disse que, desde os 16 anos, é descontrolada nas compras. “Amo comprar, mas não sou doente. Quando eu preciso de investir em outras coisas consigo economizar”. A psicóloga Fabiana de Pádua confirma que consumismo não é doença. “Para camuflar sofrimentos, as pessoas se refugiam nas compras. É, na verdade, uma inversão de valores. Elas compram demais para satisfazer o ego ou porque não sabem lidar com as frustrações”. Mas a psicóloga garante que não existe uma razão universal que leve as pessoas a comprarem demais e cada caso é um caso. “É complicado identificar e admitir que se é consumista. O excesso é uma pista. Quando a pessoa fica arrependida depois das compras ou começa a gastar mais do que pode, é melhor procurar ajuda”. As mulheres sofrem mais com este estilo de vida, mas os homens, principalmente os vaidosos, também são consumistas. Para sair desta, a psicóloga dá a dica. “Como os consumistas compram tanto, usar o que está estocado antes de comprar outra peça é um bom começo”.

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