Sob suspeita de protagonizar uma fraude, o engenheiro e ex-presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), Alexandre Godói, pediu demissão do serviço público na última sexta-feira. Godói, que teve seu computador apreendido a pedido da Promotoria no mesmo dia para ser periciado, é investigado em inquérito do Ministério Público sob suspeita de utilizar a estrutura da Emdef para prestar serviços a empresas particulares. Ele teria feito “por fora”, entre outros, o projeto de asfaltamento e o ensaio de compactação de concreto do Complexo Ana Dorothéia.
O serviço em questão foi feito pela Imobiliária Parati, que tem como um dos proprietários o servidor público e ex-secretário de Planejamento Urbano Wilson Teixeira. O ex-secretário é implicado no “Escândalo do Bagres” e responde a processo na Justiça por improbidade administrativa. O MP, agora, avalia se há ligação entre Teixeira e Godói nestas e em outras irregularidades.
As denúncias chegaram até Godói durante as investigações sobre as irregularidades no Ana Dorothéia, cujo inquérito foi aberto em maio. Entre as falcatruas, há um Termo de Verificação de Obras emitido pela Prefeitura e assinado por Teixeira. Na prática, o ex-secretário aprovou o próprio loteamento, o que é irregular. Godói, por sua vez, teria elaborado laudos, por fora, que autorizariam o loteamento.
Além disso, o promotor responsável pelo caso, Paulo Borges, encontrou dois decretos municipais de 1997 que dividiam a responsabilidade de fiscalização de parcelamentos de solo (loteamento), drenagem e asfaltamento dos empreendimentos entre a Secretaria de Planejamento, então comandada por Teixeira, e a Emdef, à época presidida por Godói, que aparecia pela primeira vez no caso.
A partir de uma denúncia de um ex-funcionário da Emdef, a situação de Godói se complicou. No dia 29 último, o MP entrou com ação cautelar na 1ª Vara Cível de Franca solicitando a busca e apreensão do computador utilizado por Godói na empresa. A decisão judicial foi favorável ao pedido do MP e, na sexta-feira, um oficial de Justiça recolheu a máquina, que foi levada diretamente ao IC (Instituto de Criminalística), onde terá seu conteúdo vasculhado por peritos.
Surpreendido com a ação, Godói, no mesmo dia, apresentou ao setor de RH da Prefeitura seu pedido de demissão. Não apresentou qualquer justificativa para deixar a Emdef depois de 12 anos de serviço. Na Prefeitura, a versão que corre é diferente. “Ele pediu para sair porque, se respondesse a processo administrativo e fosse demitido por justa causa, não poderia ser contratado em um concurso público em que ele foi aprovado para engenheiro em outra cidade”, disse uma fonte. Se a perícia do IC comprovar as suspeitas, será processado por improbidade administrativa mesmo já tendo deixado a Emdef.
SEM FALAR
Godói foi procurado, ontem, e confirmou o pedido de demissão, mas não quis falar sobre as denúncias do MP. Sugeriu que as informações fossem buscadas no próprio órgão. “Isso aí você confirma lá no MP”. Já o prefeito Sidnei Rocha, por meio do chefe da Divisão de Comunicação, Marcelo Facury, disse que só emitirá opiniões após a conclusão do trabalho do MP.
O promotor de Justiça, Paulo Borges, confirmou as denúncias, mas disse que aguardará o resultado da perícia para se pronunciar. “A investigação está em curso. Estamos colhendo provas do servidor que teria se utilizado da estrutura da Emdef em benefício próprio. Há fortes indícios, mas aguardo a prova técnica para decidir sobre a propositura ou não de uma ação”, disse.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.