O milagre da Cemar


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Na semana passada, a GP Investimentos informou que a Equatorial foi um dos casos de maior retorno de seu portfólio. A GP investiu R$ 30 milhões na Cemar (Companhia Energética do Maranhão) três anos e meio atrás. E vendeu por R$ 493 milhões. Milagre? Visão extraordinária? Um pouquinho mais que isso. Era uma história com final totalmente previsível. A Cemar foi privatizada em 2000, vendida para a norte-americana PPL Global. Depois de muito prejuízo o grupo abandonou a empresa, que ficou sob intervenção da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A empresa estava com R$ 800 milhões em dívidas, 80% das quais vencidas. A PPL se dispunha a transferir o controle por R$ 1. A maior parte da dívida era com a Eletrobrás: R$ 260 milhões, mais R$ 100 milhões de venda de energia pela Eletronorte. Para se habilitar à compra da empresa, os concorrentes teriam que apresentar carta da Eletrobrás concordando com a proposta de renegociação da dívida. Após a fase de pré-licitação, restaram dois grupos, o SVM e o Mt. Baker, fundo norte-americano, que foi desclassificado por não ter cumprido um conjunto de requisitos burocráticos -como a não-apresentação de certidão negativa de falência ou falta de histórico no setor. Como escrevi em 20/04/2004, “na véspera do final do prazo, a Mt. Baker melhorou ainda mais as condições. Dispunha-se a pagar metade à vista, e o restante, em 12 anos, com 10% de juros ao ano mais IGP-M. Foi preterido pela SVM, que propôs à Eletrobrás capitalizar R$ 50 milhões e pagar o restante em até 20 anos, parte substancial a taxas de juros de 4% ao ano, com três anos de carência”. O GP levou a empresa de graça, graças à sua escolha pela Eletrobrás. O mais grave da história é que, em pouco tempo de intervenção, a Aneel havia eliminado com os prejuízos operacionais. Na época, o balanço fechado mostrava um Ebitda sustentado (lucro antes do pagamento de juros e tributos) da ordem de R$ 120 milhões/ano. A empresa tinha R$ 80 milhões em caixa. Dizia eu, no dia 27/04/2004: “O Ebitda potencial é de R$ 100 milhões/ano. Com R$ 50 milhões/ano de investimento, R$ 30 milhões/ ano de pagamento da dívida, os acionistas podem receber R$ 20 milhões/ ano, com pouquíssimo esforço adicional. Mais: as perdas de energia da empresa estão na faixa de 20%. Exige-se investimento de R$ 4 milhões para cada ponto percentual de redução da dívida - que proporciona uma economia anual de R$ 6 milhões. Ou seja, com R$ 40 milhões de investimento, a empresa passa a gerar mais R$ 60 milhões/ano de Ebitda”. “Se o próprio governo completasse o processo de reestruturação, fechasse a reestruturação da dívida com a Eletrobrás e os bancos, antes de vender a empresa, todo o ganho da reestruturação seria apropriado pelo setor público. Não se fez, não se sabe por quê. Não se divulgam os termos do acordo firmado com a SVM e o acordo do concorrente que foi afastado. E o País nem sequer sabe o nome dos novos controladores da Cemar”. Até hoje, não há respostas, apenas desconfianças. BNDES Os desembolsos do BNDES somaram R$ 66,6 bilhões entre novembro de 2006 e outubro deste ano. O resultado significa um crescimento de 37% em relação ao verificado nos 12 meses anteriores. As aprovações nos últimos 12 meses totalizaram R$ 88,9 bilhões, expansão de 39% na comparação com o mesmo período anterior. As consultas chegaram a R$ 133,3 bilhões, aumento de 40% em relação ao obtido de novembro de 2005 a outubro de 2006. As aprovações para o setor de infra-estrutura cresceram 80% nos últimos 12 meses frente a igual período anterior, somando R$ 37,9 bilhões. Os desembolsos para esse segmento chegaram a R$ 25,8 bilhões, aumento de 60%. Somente o setor de transportes teve um incremento de 450% no volume de aprovações nos últimos 12 meses, totalizando R$ 16,4 bilhões. Os projetos ligados ao setor de telecomunicações tiveram R$ 6,1 bilhões aprovados, alta de 176% sobre os 12 meses imediatamente anteriores. As aprovações para energia elétrica tiveram expansão de 79%, somando R$ 8,4 bilhões. Já o setor de construção obteve R$ 3,8 bilhões em aprovações, incremento de 89%. De janeiro a outubro, os desembolsos do BNDES totalizaram R$ 49,8 bilhões, valor 40% superior ao do mesmo período em 2006. Foram feitas 165,2 mil operações nos dez primeiros meses de 2007, aumento de 86,3% sobre igual período de 2006. OCEAN AIR A OceanAir garantiu ontem o embarque apenas dos passageiros portadores dos 27 mil bilhetes da BRA que tenham pacote de fretamento fechado com a operadora PNX Travel. O restante (ou seja, 43 mil passagens) está sujeito à disponibilidade de assentos nos aviões da companhia, da mesma forma como ocorre nas outras empresas (TAM, Gol, Varig e Webjet). De qualquer forma, o presidente da OceanAir, German Efromovich, deixou claro ontem que a companhia pretende assumir o espaço deixado pela BRA e que negocia com empresas de leasing a incorporação à sua frota de até oito aviões que eram operados pela empresa. Na última sexta, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, havia afirmado que a OceanAir assumiria os vôos da BRA por 90 dias. O acordo garantindo o embarque, entretanto, limita-se por enquanto aos vôos charter. A Anac disse que a OceanAir vai assumir todos os vôos da BRA, fretados e regulares, mas não soube dizer a partir de quando. Com uma baixa taxa de ocupação (de 65% dos assentos, em média), a companhia tem condições de absorver com mais folga a demanda de passageiros da BRA.

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