Do que Franca precisa


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As palavras com as quais o prefeito Sidnei Franco da Rocha caracterizou recentemente o francano (“negativo, pessimista e inseguro”) revelam, além do estilo temerário que lhe é característico, as limitações de um dirigente político diante da complexidade dos novos tempos, uma vez que aqueles qualificativos se admitidos não compõem apenas características psicológicas dos francanos e sim um estado de mal-estar e de incertezas que aflige boa parte da população mundial. E quem evidencia essas duas limitações terá certamente dificuldades para gestar perspectivas inovadoras para o futuro da cidade. Franca foi a cidade média do Estado de São Paulo que mais cresceu nas últimas três décadas. Isso gerou um turbilhão de mudanças e contradições que fazem dela, dentro da singularidade brasileira, uma expressão da modernidade. O alicerce que sustenta essa construção é, sem duvida, a indústria do calçado. Além da utilização intensiva de mão-de-obra, a diferenciação e a pulverização sempre foram a força e a fragilidade da cidade. Mas não há dúvida de que aqui, desenvolvimento significa emprego industrial. Dele deriva a emergência e o adensamento de outros setores na paisagem econômica. As dificuldades dos últimos anos têm ensejado raciocínios equivocados. Alguns sugerem simplesmente que os francanos abandonem a fabricação de calçados. Outros profetizam que somente os “grandes” sobreviverão num mercado cada vez mais competitivo e os “pequenos” (a maioria que gera mais empregos) morrerão vitimados pela “seleção natural”, mas isso é falso. De acordo com a pesquisa da RAIS (Ministério do Trabalho), de 1995 a 2005 as grandes empresas diminuíram de 9 para 5 e as médias de 49 para 28. Há um velho argumento sempre lembrado: a solução só pode vir ‘de cima’, do governo federal, com a adoção de um câmbio favorável, mesmo que isso possa ocasionar danos a outras dimensões da economia. Contudo, o que Franca precisa é agir política e estrategicamente a partir da sua dimensão local. Na maioria dos países desenvolvidos, a competitividade de setores específicos há muito passou a ser de responsabilidade das esferas de poder local e regional, pois estas são as dimensões mais próximas das reais necessidades das empresas estabelecidas em seu território. Portanto, há que se agir localmente criando condições propícias à competitividade das empresas estabelecidas no território produtivo do município. Qualquer administração municipal tem que construir um projeto de desenvolvimento com diretrizes, objetivos e metas plausíveis. Definitivamente, desenvolvimento é algo sério demais para ser levado a cabo à base do improviso. Não promovida pelo atual governo municipal e sequer pensada nos anteriores, entendemos que o poder público municipal deve projetar e colocar em prática uma Agência Municipal de Desenvolvimento que possa ser um agente colaborador e multiplicador de estímulos e de fomento de técnicas, conhecimento e inovação, especialmente a partir da base produtiva que se estabeleceu e criou a modernidade da cidade. Franca precisa “pensar grande” e de maneira atualizada para enfrentar a complexidade desse novo tempo. LUIZ CARLOS VERGARA PEREIRA é presidente do Partido Popular Socialista (PPS) de Franca

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