Alfredo Palermo
especial para o Comércio
O Estadão, em sua edição de domingo, publicou uma entrevista de Della Lerner, que veio ao Brasil a convite do Ministério da Educação, para atuar como consultora: apresentar problemas no uso do idioma, oferecer soluções ao Governo e cumprir seu trabalho. A eminente professora de línguas é docente da Universidade de La Plata e já expôs a sua missão. A ilustre intelectual argentina resumiu numa frase - no meio da conversa - que nos cientifica de que: “O que se visualiza como objeto de ensino é a língua, não a escrita”. Todo professor de vernáculo, no Brasil, tem consciência de que, ao assumir a função de docente da “língua portuguesa” nas escolas brasileiras, tem por missão ensinar a fala que, herdada de Portugal, aqui se ambientou e, adaptando-se à cultura crescente do País, conquistou a denominação que as leis do ensino lhe reservam. E é exatamente por isso que, ao elaborarem a Constituição Federal, em 1988, os representantes do povo aprovaram o dispositivo catalogador de nossa identidade: “Art. 13.- A Língua Portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”. E, para completar o dispositivo, de natureza cultural e nacional, foi aprovado o parágrafo 1º, com esta redação: “Parág. 1º - São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais”.
A Prof.ª Della Lerner, na entrevista, esboça as suas razões: a primeira, é a de que o ensino, como o nosso, da língua escrita e falada, se equivoca pelo fato de a língua “escrita” e a língua “falada” serem processos que “se desenvolvem com o tempo”.
E, além disso, o ensino da “língua falada” para ela “o importante é fazer com que os alunos avancem como leitores e escritores”.
O ensino do idioma de um povo se aperfeiçoa com seu desenvolvimento cultural e social. Sílvio Elia, em sua obra O Problema da Língua Portuguesa, adotando a legitimidade do “Português do Brasil”, como o que se oferece no País, comenta: “O rigor com o qual se exerce a coação da regra no grupo é extremamente forte, e isto em todas as comunidades lingüísticas e, até mesmo em todas as camadas sociais, com relação a seus próprios falares. Todos obedecem a uma dada Gramática”.
A entrevista da Prof.ª Lerner deve despertar grande interesse entre os numerosos lingüistas brasileiros. E as discussões poderão certamente obter da professora argentina maiores explicações e colocar suas idéias de forma mais convincente.
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