Raves: perigo se esconde atrás das baladas


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Milhares de jovens costumam curtir raves como esta na foto. Mas em muitos casos, festas viram ponto de tráfico e bebedeiras
Milhares de jovens costumam curtir raves como esta na foto. Mas em muitos casos, festas viram ponto de tráfico e bebedeiras
Som alto, gente bonita, álcool à vontade. Livre comércio e uso de drogas. Jovens dispostos a consumir. Nenhuma fiscalização. Este cenário faz parte do mundo das festas raves em Franca. Fornecer entretenimento, objetivo inicial dos eventos, tem dado lugar a um submundo, em que tráfico, bebedeiras desregradas e até orgias sexuais transformam as baladas com música eletrônica numa aventura perigosa. Tudo isto com a livre participação de menores. Muitos pais sequer imaginam o que rola em uma rave. A polícia, o Conselho Tutelar, a prefeitura e o Ministério Público sabem, mas pouco ou quase nada fazem para coibi-las. No último fim de semana de outubro, um adolescente morreu e ao menos 18 foram internados com sintomas de uso de drogas e excesso de álcool em uma rave na cidade de Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Em Franca, ainda não ocorreram mortes, mas casos de internação por coma alcoólico ou de venda e consumo de drogas sintéticas nestes eventos são freqüentes. Com o nome “festa tal”, “noite tal”, as baladas movidas a álcool e drogas rolam livres em chácaras nos arredores da cidade, onde o alvará de funcionamento é coisa rara. O público-alvo são jovens da classe média e universitários. Normalmente, a galera é convocada por meio de sites de relacionamento na Internet. Não há controle de entrada e menores são bem-vindos. O acesso aos entorpecentes é facilitado. “Você está dançando numa boa e os caras chegam falando: ‘Você quer uma balinha? Eu tenho’. Eles não forçam. A pessoa compra se quiser. Toda balada é assim”, disse um baladeiro, que pediu para não ser identificado. “Bala” é a expressão que os traficantes usam para se referir ao ecstasy, a chamada droga do amor, que proporciona sensação de bem-estar e euforia. Cada comprimido custa de R$ 20 a R$ 50. Outra gíria comum nas raves é “docinho”, usada para oferecer LSD. Consumidores interessados não faltam. “Na semana passada, fizeram uma rave durante o dia no condomínio de chácaras onde moro. Fiquei horrorizada. Todos estavam se drogando e bebendo. Vi muitos pais levarem seus filhos, ainda menores, para se divertirem. Eles nem imaginam o que aconteceu lá. É preciso ficar alerta. Acho que só vão fazer alguma coisa quando morrer alguém”, disse Andreia*. Um grampo telefônico feito pela Polícia Civil, divulgado pelo Comércio em outubro de 2006, mostrou o desespero de uma traficante de Franca para conseguir drogas junto a um fornecedor de Ribeirão Preto para vender aos baladeiros locais. “Que loucura...Isso é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Pelo amor de Deus. Vê aí o que você faz. Cê sabe que aqui a cidade é lôca. Tem gente querendo comprar e eu não tenho para vender”. A mulher flagrada nas escutas foi torturada e morta por traficantes rivais no dia 27 de fevereiro em Ribeirão. *Nome fictício a pedido da entrevistada

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