Mais de 22 mil francanos têm restrições no nome


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A dona de casa, que pediu para não ser identificada, no quintal de sua casa. Ela e o marido lutam há quatro anos para quitar as dívidas
A dona de casa, que pediu para não ser identificada, no quintal de sua casa. Ela e o marido lutam há quatro anos para quitar as dívidas
Com a chegada do Natal, as vitrines das lojas parecem chamar mais atenção e enfeitiçam o consumidor. Com o 13º salário e o pagamento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), resistir à tentação de cair nas compras é quase impossível. Mas, para 22 mil francanos, essa missão terá de ser cumprida, pelo menos no que diz respeito às compras a prazo. Eles estão com o nome sujo e por isso não poderão abrir novas contas. Os dados são da Acif (Associação do Comércio e Industria de Franca), que controla a inclusão de consumidores no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Para se ter idéia do que isto representa, seria o mesmo dizer que quatro em cada dez trabalhadores registrados estão impossibilitados de comprar. Para o economista Hélio Braga, o número é alto e merece atenção. “É, sem dúvidas, um dado preocupante. Afinal, a medida que aumenta a quantidade de inadimplentes, a retração nas vendas é inevitável, o que prejudica a economia da cidade”, disse. Para Braga, a falta de planejamento orçamentário e o impulso pelas compras são os principais motivos que levam as pessoas para a lista negra. “Elas não se programam e quando percebem estão com a corda no pescoço. Além disso, não contam com as eventualidades, como doenças e o desemprego”. Foi o que aconteceu com o gerente administrativo Marcos* e a dona de casa Adriana*. O casal não esperava, mas, de uma hora para outra, ele perdeu o emprego e há quatro anos sofre com o nome sujo na praça. Se somadas, as dívidas contraídas em lojas de móveis, materiais de construção, dentistas, escola de inglês, entre outros, ultrapassam os R$ 20 mil. Eles tentam se reerguer, porém garantem que não está sendo fácil. “A gente se esforça para pagar o que deve, mas as empresas não confiam na gente. É uma situação muito difícil”, desabafou a dona de casa. Os imprevistos agravam a situação, mas os crediários são os maiores responsáveis pelo problema. “Abrir uma conta está cada vez mais fácil e as condições de pagamento muito flexíveis. As pessoas não resistem e dividem, fazem prestações sem, ao menos, saber se vão conseguir pagar. Aí é que mora o perigo”, disse o economista Luis Carlos dos Santos. Para sair desta situação Santos dá as dicas, mas uma regra é básica: para pagar é preciso ter dinheiro, mesmo que pouco. “Para o pagamento à vista, o devedor deve “chorar” para que a empresa desconte o valor dos juros. Se for preciso pagar aos poucos, nada de parcelar demais” (veja mais dicas no quadro ao lado). A empresa não é obrigada a negociar com o cliente. Mas caso ele considere o valor cobrado abusivo poderá procurar o Procon, o Juizado de Pequenas Causas ou um advogado. Colaborou: Thiago Rocioli * A pedido dos entrevistados os nomes são fictícios.

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