Um novo recorde


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ESTRUTURA - João Vitor de Oliveira, 3 anos, no colo de sua mãe, Rosa Mônica de Oliveira Souza, na Brinquedoteca da ala pediátrica: alento para pequenos pacientes
ESTRUTURA - João Vitor de Oliveira, 3 anos, no colo de sua mãe, Rosa Mônica de Oliveira Souza, na Brinquedoteca da ala pediátrica: alento para pequenos pacientes
A Santa Casa de Franca é a que mais interna no interior do Estado. Nos seis primeiros meses deste ano foram 9,6 mil internações realizadas. Número muito superior ao de Santas Casas maiores ou situadas em cidades mais populosas, como Santos (5,9 mil no mesmo período) e Piracicaba (5,7 mil). O hospital francano só perde para a unidade de São Paulo, que realizou mais de 19 mil internações. Tal demanda ocorre por uma série de motivos: dentre os principais, a absorção de praticamente 100% dos atendimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) na cidade, em um universo superior a 220 mil pessoas, e o atendimento a pacientes de outros 22 municípios que compõem a região de Franca, além das mineiras Ibiraci e Claraval. “Nosso volume de atendimentos é gigantesco. Buscamos, da melhor forma, prestar a melhor assistência. Mas não é fácil gerenciar tudo isso”, disse o presidente da Santa Casa, José Cândido Chimionato. Uma das maiores dificuldades enfrentadas nos últimos tempos pela Santa Casa adveio justamente do número de procedimentos que ela realiza. Além das internações, os demais procedimentos hospitalares disponibilizados, entre janeiro e agosto deste ano, foram 540 mil, sendo que 85% deste total foram para pacientes do SUS. Cada atendimento custa, em média, R$ 72. Deste valor, somente R$ 51 são reembolsados à Santa Casa, ocasionando um prejuízo de R$ 21 a cada serviço prestado. Com isso, o déficit operacional chegou à casa de R$ 1 milhão por mês. Sem condições de assumir esse ônus, no início do ano, a Santa Casa ficou à beira da calamidade. Atendimentos ambulatoriais foram cortados. O promotor de Justiça e curador da fundação, Décio Piola, chegou a dizer que o hospital corria o risco de fechar as portas. “Estivemos, realmente, à beira do abismo. Lutamos, por muito tempo, para continuar atendendo. Felizmente, algumas portas se abriram. Hoje, já respiramos”, disse o superintendente da instituição, Fernando Bueno. O ALENTO As “portas abertas” mencionadas por Bueno foram, na prática, a interferência política do deputado Gilson de Souza (DEM). Primeiro, ele destinou R$ 2 milhões, que seria toda a verba correspondente a suas emendas, para que a Santa Casa saldasse dívidas atrasadas, sobretudo com fornecedores. Depois, sua articulação junto ao governo do Estado para que o hospital fosse incluído no programa Pró Santa Casa, que atualmente rende outros R$ 600 mil mensais para os cofres da fundação, foi fundamental. A direção também se movimentou. Mudou a aparência da Santa Casa, que ganhou reformas físicas e adequações e melhorias no atendimento, na logística, alimentação e equipamentos. Assim, teve sua credibilidade aumentada e pôde encontrar um novo caminho para diminuir o rombo do SUS: aumentar os atendimentos particulares e a convênios com empresas de previdência e saúde. Tanto que, somente no último ano, com a incorporação de conveniados como a Intermédica, que administra os planos de saúde para Wal-Mart e Carrefour, o faturamento com esse nicho de mercado deu um salto de 25%. “Hoje, os particulares nos dão cobertura de boa parte do déficit. E nossa intenção é aumentar nossa participação nesse mercado. Temos qualidade para competir pelos clientes com qualquer outro hospital”, disse Fernando Bueno. OS PROBLEMAS Em que pese todo o otimismo de Bueno e dos demais diretores, os problemas ainda existem. E não são pequenos. A Santa Casa tem uma dívida, entre consolidada e débitos com fornecedores, de aproximadamente R$ 18 milhões. Além disso, o déficit operacional, em torno de R$ 106 mil por mês, ainda precisa ser zerado. “Primeiro, tínhamos de pôr ordem na casa. Depois diminuir aquele déficit gigante, de R$ 1 milhão/mês. Conseguimos. Agora, nosso objetivo é aumentar a gama de serviços e a receita e tornar o caixa, em breve, positivo. Não há data ainda, mas vamos chegar lá”, disse.

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