Meu bem, meu mal


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No Summit do Ethanol, ocorrido no início do ano em São Paulo, participei de uma mesa que juntou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o investidor George Soros. O tema era o enorme potencial do Brasil nesse campo. O ex-presidente fez digressões sobre a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina), que dizia que as relações de troca entre nações sempre favoreciam os produtores de produtos industrializados em detrimento dos exportadores de produtos primários. Mencionou a explosão de preços das commodities para tentar demonstrar que a teoria estava errada. De seu lado, com a perspicácia de quem consegue identificar o que é efetivamente relevante em processos econômicos, Soros limitou a analisar a explosão dos preços agrícolas sob o prisma da “maldição das matérias primas”. O processo é conhecido. Países que, de repente, conseguem se tornar grandes exportadores de determinadas matérias-primas obtêm enormes superávits comerciais que provocam uma apreciação tal na sua moeda que acaba matando todo o desenvolvimento industrial. A descoberta do poço de Tupi pela Petrobrás, de um lado, é motivo de orgulho para o País. Pelas primeiras informações, poderá mais que dobrar as reservas brasileiras, incluindo o Brasil no primeiro time dos exportadores de petróleo. Por outro lado, se não houver visão estratégica da parte do governo, poderá ser a pá de cal na tentativa de modernização do País. Hoje em dia, a explosão das commodities, somada à imprudência da política monetária e cambial, já está produzindo uma avaria irreversível no tecido industrial brasileiro. A cada dia que passa, com o dólar deslizando ladeira abaixo, mais indústrias, emprego, produção brasileira são alijados do mercado por produtos importados. Por enquanto esse processo é menos explícito devido ao aquecimento da demanda interna. Em um primeiro momento, as importações não conseguem crescer a ponto de atender a todo crescimento de demanda. O dólar vai caindo e cada importação nova que se viabiliza necessita de tempo, até que os importadores identifiquem os vendedores e montem estruturas internas de distribuição. A partir de certo momento - que já começou - as importações ganham velocidade de cruzeiro. O crescimento da demanda, por si, não consegue mais sustentar o aumento do emprego e da renda - porque mais e mais esse espaço será ocupado por produtos importados. Quando arrefecer a atual onda de aumento de demanda, a maré baixa e os escombros aparecem. Com a descoberta dessa super-reserva, o governo tomou uma primeira atitude sensata: mandou cancelar o leilão de todas as áreas contíguas ao poço. Agora, precisaria partir para o segundo tempo: discutir com o País o tratamento a ser dado a esse novo presente da natureza ao Brasil. Sem uma visão de longo prazo, que permita acumular recursos para o desenvolvimento futuro, que impeça o aprofundamento da “maldição dos recursos naturais”, o presente poderá se transformar em tragédia com data anunciada. É hora de comemorar. Mas é hora de se pensar com seriedade o futuro. CALÇADOS A rede de lojas do setor calçadista Arezzo se associou à marca Schutz para formar uma holding varejista com atuação nos segmentos de moda, calçados femininos e acessórios. O negócio terá ainda a injeção de R$ 76,323 milhões do fundo de private equity [participação em empresas] da Tarpon, gestora brasileira de recursos, que ficará com 25% da nova empresa. Segundo a Tarpon, a holding Arezzo S.A. será uma das líderes no setor calçadista brasileiro, com faturamento da ordem de R$ 341,6 milhões e venda de 4,4 milhões de pares de sapatos por ano. O aporte de capital será utilizado para financiar novas aquisições, incluindo outras marcas, além da expansão da rede de lojas e de franquias no Brasil e no exterior. O Tarpon não descarta a possibilidade de novas injeções de recursos. Juntas, Arezzo e Schutz somam hoje 228 franquias e seis lojas próprias, além de terem seus produtos vendidos em cerca de 1.500 lojas multimarcas. Segundo Anderson Birman, da Arezzo, o grupo pretende dobrar seu tamanho nos próximos cinco anos, abrindo mais de 220 franquias no exterior. A Arezzo já conta com duas lojas em Portugal e outras seis na Venezuela. INTEL EM MANAUS A Intel anunciou ontem que irá montar placas-mãe no Brasil utilizando a fábrica de sua parceira Digitron, em Manaus. A iniciativa, diz, derrubará os preços em 20% em relação aos produtos importados que chegam ao país. Uma placa será vendida por cerca de US$ 80 nas redes de distribuição. “O mercado brasileiro cresceu tanto nos últimos anos que compensa abrirmos mão dos custos de produção em troca dos ganhos de escala”, afirma Oscar Clarke, gerente da Intel para o Brasil. Placas-mãe são pranchas em que se fundem os componentes eletrônicos e os processadores. É o coração de um computador. Para fechar a parceria com a Digitron, a Intel fez boa parte dos investimentos na fábrica. Ao todo foram US$ 12 milhões. A meta de vendas para 2008 é de 500 mil unidades - montante que equivale à metade de todos os embarques realizados para a América Latina. Dependendo dos resultados das vendas de placas-mãe no próximo ano, a Intel poderá dar um novo passo rumo à construção de uma fábrica de processadores no país, algo que consumiria investimentos de US$ 3 bilhões.

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